Ruanda pede extradição de acusado de genocídio preso na Holanda

Joseph Mugenzi, de 71 anos, foi detido na terça-feira na Holanda. Era alvo de um mandado de captura há sete anos.

O Ruanda pediu esta quarta-feira a extradição de Joseph Mugenzi, líder de um partido da oposição preso na terça-feira na Holanda sob a acusação de genocídio durante o massacre de 1994, informou hoje o Ministério Público ruandês.

Mugenzi, 71 anos, era alvo de um mandado de captura internacional desde 2013.

"Foi detido na terça-feira, 27 de outubro, pela unidade de crimes internacionais da polícia holandesa e solicitámos imediatamente a sua extradição", disse o porta-voz do Ministério Público ruandês, Faustin Nkusi, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

"As autoridades judiciais holandesas extraditaram dois suspeitos de genocídio para o Ruanda no passado, enquanto outros dois foram julgados e condenados no país, pelo que acreditamos que Mugenzi poderá ser extraditado", acrescentou Nkusi.

Jean Baptiste Mugimba e Jean Claude Iyamuremye foram extraditados em 2016, enquanto John Mpambara foi condenado a prisão perpétua em 2010 e Yvonne Ntacyobatabara a seis anos e oito meses em 2013, embora tenha morrido na prisão antes de cumprir a sua sentença.

Mugimba foi secretário-geral da Coligação para a Defesa da República (CDR), um partido político hutu extremista, enquanto Iyamuremye foi o líder das milícias Interahamwe no setor Kicukiro de Kigali.

Por seu lado, Mugenzi, um membro sénior do partido então governante, Movimento Republicano Nacional para a Democracia e o Desenvolvimento (MRND), trabalhou no Banco Nacional do Ruanda e operou uma farmácia em Kigali durante o genocídio.

Segundo o Ministério Público ruandês, é acusado de genocídio, crimes contra a humanidade, conspiração e cumplicidade para cometer atos genocidas.

Mugenzi vive na Holanda desde 2000 e, na altura da sua prisão, era presidente do partido político não registado FDU Inkingi, ao qual pertencia o político da oposição Victiore Ingabire.

O massacre de 1994 resultou no extermínio de cerca de 800.000 tutsis e hutus moderados no Ruanda, então o país mais densamente povoado de África, com sete milhões de pessoas.

Setenta por cento das vítimas mortais eram tutsis, massacrados por extremistas hutu após a morte do então presidente ruandês Juvenal Habyarimana quando o avião em que viajava foi abatido a 06 de abril de 1994 pouco antes de aterrar no aeroporto de Kigali.

O assassínio de Habyarimana (do grupo étnico hutu, a maioria no Ruanda), que foi morto juntamente com o Presidente do Burundi, também um hutu, Cyprien Ntaryamira, que o acompanhava, foi o rastilho para o genocídio.

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