"Se não aguentarmos a defensiva, a Rússia irá continuar e atacar os países bálticos"

Zelensky sublinha que se a Ucrânia perder a guerra contra a Rússia, as forças de Moscovo irão continuar e atacar membros da NATO, o que coloca "potencialmente" norte-americanos em risco.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertou esta segunda-feira que os Estados Unidos e todos os membros da NATO serão arrastados para uma guerra caso a Rússia conquiste a Ucrânia e avance para outros países.

"Se cairmos, se não aguentarmos a defensiva, a Rússia irá continuar e atacar os países bálticos, a Estónia, Lituânia e Letónia, e estados mais pequenos", salientou Zelensky em entrevista à plataforma de notícias Axios.

Desta forma, o chefe de Estado ucraniano sublinhou que se o seu país perder a guerra contra a Rússia, as forças de Moscovo irão continuar e atacar membros da NATO, o que coloca "potencialmente" norte-americanos em risco.

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tem repetido insistentemente que não irá enviar militares norte-americanos para a Ucrânia, mas um ataque contra um membro na NATO ativaria o artigo 5 da Aliança Atlântica, um acordo de defesa coletiva.

"Os militares norte-americanos terão de ir para a Lituânia, Letónia e Estónia, segundo o artigo 5, e terão que combater ali e morrer ali", apontou Zelensky.

Volodymyr Zelensky, que tem pedido mais armas ao Ocidente, apelou esta segunda-feira no Fórum de Davos para "sanções máximas" contra Moscovo, incluindo a suspensão de relações comerciais, e convidou as empresas estrangeiras a mudarem-se da Rússia para a Ucrânia.

Num discurso direcionado para os EUA, Zelensky aconselhou ainda os norte-americanos cansados da guerra a "lerem algumas memórias da Segunda Guerra Mundial".

O chefe de Estado ucraniano frisou, na entrevista ao Axios, que a hipótese de uma Ucrânia derrotada está associada a um cenário em que as tropas norte-americanas defendem aliados da NATO na Europa.

"Os membros da Aliança [Atlântica] devem saber e acreditar que se algum país tentar qualquer agressão contra eles, a NATO, como coletivo, terá de ir em sua defesa", realçou.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de três mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A guerra na Ucrânia, que completa na terça-feira três meses, causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas das suas casas -- cerca de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,1 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a II Guerra Mundial (1939-1945).

Também as Nações Unidas disseram que cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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