"Se vacinarmos 20% ou 30% da população de cada país, poderemos voltar à normalidade"

O médico britânico Jeremy Farrar acredita que é possível sair da crise pandémica no verão de 2021.

Em dezembro de 2019, quando a humanidade se preparava para celebrar a entrada no novo e promissor ano 2020, o médico britânico Jeremy Farrar publicou uma mensagem, no Twitter, que contrastava com o sentimento de euforia da maioria das pessoas.

"Preocupante", escreveu na rede social. Era, assim, um dos primeiros a alertar para as pneumonias, ainda sem explicação, na cidade chinesa de Wuhan.

"Qualquer série de infeções respiratórias graves é realmente preocupante", alertou o médico. Farrar sabia que podia acontecer o que, efetivamente, aconteceu: uma pandemia. Já tinha passado anos a tentar preparar a humanidade para uma futura pandemia letal.

Nascido em Singapura, em 1961, dirige a Wellcome Trust, uma instituição filantrópica com sede em Londres que tem 30 mil milhões de euros em investimentos para financiar investigações científicas de ponta.

A 22 de dezembro de 2019, após a vacina contra o ébola cofinanciada pela sua instituição se ter revelado um sucesso, Farrar declarou: "Podemos vencer o ébola, mas devemos preparar-nos para o que virá a seguir."

Hoje, quase um ano depois de terem sido detetados os primeiros casos de infeção pelo novo coronavírus, o médico teme que esta pandemia nunca chegue ao fim, mas acredita que o mundo regressará à normalidade com uma vacina.

"Se vacinarmos 20% ou 30% da população de cada país, poderemos voltar à normalidade. E então o mundo poderá voltar à normalidade. A via para salvar vidas, abrir a economia e recuperar as escolas é vacinar algumas pessoas em todos os países. Este é o caminho mais rápido para sair desta pandemia", explicou Jeremy Farrar em entrevista ao El País.

Sobre quando será possível regressar a essa normalidade, o especialista aponta o verão de 2021 como um cenário otimista, mas bem provável.

"Há nove vacinas experimentais na última etapa de desenvolvimento. Não sabemos quais funcionarão e, primeiro, temos de verificar se são seguras. É otimista, mas é possível pensar que no verão de 2021 podemos começar a ver uma redução na transmissão do vírus, com as vacinas a ficarem disponíveis e as pessoas a voltar à vida normal", afirmou o médico.

Aos governos, Jeremy Farrar aconselha que pensem em como utilizar as vacinas da melhor forma, de maneira a permitir que todos os países se reergam, as economias cresçam e as crianças voltem às escolas.

"Se só quiserem vacinar toda a população espanhola, não podem consegui-lo nos primeiros seis meses. Nenhum país tem uma campanha de vacinação nacional que inclua todos. Seria quase impossível fazê-lo. O caminho mais rápido é vacinar os adultos, os trabalhadores do setor da saúde, os trabalhadores essenciais e assegurar que os seus países vizinhos vacinam da mesma forma", acrescentou o especialista.

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