Seul lamenta "profundamente" veto russo e chinês a novas sanções contra Pyongyang

O Governo sul-coreano "lamenta profundamente que a nova resolução do Conselho de Segurança não tenha sido adotada apesar da aprovação da maioria dos membros".

A Coreia do Sul lamentou esta sexta-feira "profundamente" o veto exercido por Moscovo e Pequim sobre uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que propunha impor novas sanções ao regime norte-coreano devido aos recentes lançamentos de mísseis balísticos.

O Governo de Seul "lamenta profundamente que a nova resolução do Conselho de Segurança não tenha sido adotada apesar da aprovação da maioria dos membros", referiu o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros sul-coreano, Choi Young-sam, num comunicado.

A resolução recebeu o apoio de 13 dos 15 membros que compõem o Conselho de Segurança das Nações Unidas, mas não foi aprovada devido ao veto da Rússia e da China que como membros permanentes do órgão têm este poder e podem, assim, bloquear a medida.

"Este é o primeiro caso em que uma resolução do Conselho de Segurança sobre sanções contra a Coreia do Norte foi rejeitada", lembrou Choi Young-sam no comunicado, observando que isso ocorre enquanto Pyongyang continua a lançar mísseis e a preparar um teste nuclear que Seul acredita ser iminente.

O representante sul-coreano considerou que o veto "prejudicou a confiança da comunidade internacional" no Conselho de Segurança.

A resolução elaborada pelos Estados Unidos - que ocupam a presidência rotativa do Conselho de Segurança até ao final de maio - pedia uma redução, dos atuais quatro milhões de barris de petróleo para três milhões de barris, da quantidade que a Coreia do Norte pode importar legalmente a cada ano para uso civil.

A medida também pretendia reduzir as importações de petróleo refinado, de 500.000 para 375.000 barris, e reforçar as sanções marítimas.

A resolução proibiria ainda as exportações norte-coreanas, incluindo relógios ou combustíveis minerais, assim como qualquer venda ou transferência para Pyongyang de tabaco e produtos derivados do tabaco.

O texto também queria banir o fornecimento à Coreia do Norte de meios de informação e comunicação, prevendo sanções a empresas e indivíduos, incluindo a Haegumgang Trading Corporation, que terá assinado um contrato, no valor de seis milhões de dólares (5,6 milhões de euros), para fornecer a Moçambique mísseis terra-ar, radares e sistemas portáteis de defesa antiaérea.

A resolução também previa o congelamento dos ativos globais da Korea Namgang Trading Corporation, que envia trabalhadores norte-coreanos para o exterior para gerar rendimentos para o Governo, e do grupo Lazarus, acusado de atividades cibernéticas para contornar as sanções internacionais.

O texto pretendia adicionar à lista de sanções Kim Su-il, o suposto representante no Vietname do Departamento da Indústria de Munições norte-coreano, responsável pelo desenvolvimento dos mísseis balísticos do Norte.

A Coreia do Norte, que está completamente isolada do estrangeiro desde o início da pandemia em 2020, lançou três mísseis esta semana, um deles aparentemente um míssil balístico intercontinental (ICBM).

Em 2021, Pyongyang - que também rejeitou convites para retomar o diálogo com os Estados Unidos, paralisado desde 2019 - aprovou um plano de modernização de armamento que está por trás do número recorde (17) de lançamentos de mísseis feitos pelo país este ano.

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