Uma russa com a Ucrânia no coração

"Parece que estamos a viver em dois mundos completamente diferentes", relata Natalia, uma emigrante russa em Portugal, casada com um ucraniano. Os dois nem têm tempo para discutir. "Não temos tempo a perder, para ajudar as pessoas a fugir desse inferno."

Natalia é bancária, mas tem pedido dispensa do trabalho.

Ela, russa de Vladivostok, e o marido, da Ucrânia, vivem em Leiria e dedicaram-se, desde o início da invasão, a transportar quem foge da guerra.

Nos próximos dias, vão trazer para Portugal cerca de 80 refugiados da Polónia e da Hungria.

Natalia explica que está "focada nas pessoas. Custa-me ver as crianças desalojadas e a guerra. Quero ajudá-los, trazê-los para perto de mim, vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ajudar a fugir desse inferno".

Enquanto Natalia organiza as listas com os nomes dos refugiados que vão chegar, o marido faz o transporte em carrinhas e autocarros.

"Não temos tempo a perder", realça Natalia, que confessa ter muito medo pelo marido, que quer voltar à Ucrânia para combater. O avô, primos e sobrinhos recusam sair do país, "querem lá ficar e combater" e "ele quer voltar", mas "eu espero que não", admite com um suspiro. "Tenho muito medo que ele fique lá. Ele faz-me muita falta cá", afirma Natalia, elogiando a coragem dos que regressam para combater, mas também dos que ficam a apoiar os refugiados.

Há quase 20 anos em Portugal, Natalia confirma que na Rússia "a guerra não existe".

A mãe, que ainda vive em Vladivostok, tem acesso limitado à Internet e ao telefone. Pediu à filha que deixasse de enviar vídeos sobre a "operação militar" russa. "Não podem pronunciar a palavra guerra. O medo é muito grande. É horrível, parece que estamos a viver em dois mundos completamente diferentes, em dois planetas e se (os russos) protestam, vão presos. Estão muito assustados, sem saber o que vai acontecer", conta Natalia, que não tem medo de criticar Vladimir Putin. "A loucura do nosso presidente foi longe demais", afirma. "A ambição dele é conquistar o mundo e ele não vai parar por aqui. Os ucranianos não vão ceder (...) e não estou a ver o fim", lamenta.

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