Washington chega a acordo de 518 milhões de dólares com distribuidores de opiáceos

O procurador-geral, Bob Ferguson, salientou que o valor é dezenas de milhões de dólares superior ao que Washington teria recebido destas empresas, caso tivesse assinado um acordo nacional alcançado no verão passado com os distribuidores e o grupo Johnson & Johnson.

Os três maiores distribuidores de opiáceos dos Estados Unidos aceitaram esta terça-feira pagar ao Estado de Washington 518 milhões de dólares, sendo que a grande maioria da indemnização será direcionada para solucionar a crise com os analgésicos altamente viciantes.

O procurador-geral, Bob Ferguson, divulgou o acordo e salientou que o valor é dezenas de milhões de dólares superior ao que Washington teria recebido destas empresas, caso tivesse assinado um acordo nacional alcançado no verão passado com os distribuidores e o grupo Johnson & Johnson.

O acordo ainda requer a aprovação de um juiz e de dezenas de cidades daquele Estado que avançaram com os seus próprios casos contra os distribuidores McKesson Corp., Cardinal Health Inc. e AmerisourceBergen Corp.

Caso avance, o Estado terá de gastar 476 milhões de dólares (cerca de 452 milhões de euros) do total (cerca de 492 milhões de euros) para lidar com a crise dos opiáceos, incluindo no tratamento de abuso de substancias.

Mas também para expandir o acesso a medicamentos de reversão de overdose e fornecer habitação, colocação profissional e outros serviços para aqueles que lutam contra o vício.

O restante do dinheiro será aplicado para cobrir os custos processuais.

"Podíamo-nos ter juntado à esmagadora maioria dos estados e resolvido com os maiores distribuidores de opiáceos, mas optamos por combate-los no tribunal", realçou Ferguson.

O valor adicional alcançado permitirá ter recursos adicionais significativos para Washington combater a epidemia, sublinhou o procurador-geral do Estado da capital norte-americana.

As três empresas tinham divulgado no início do ano que 46 estados assinaram o acordo nacional, onde pagarão quase 20.000 milhões de dólares (cerca de 19.000 milhões de euros) em 18 anos.

Bob Ferguson recusou-se a participar, defendendo que o valor era insuficiente, avançando para julgamento contra os três distribuidores e separadamente contra a Johnson & Johnson.

O caso contra os distribuidores foi a julgamento em novembro, com a alegação de violação das leis de proteção ao consumidor e perturbação pública.

O processo contra a gigante farmacêutica norte-americana tem o início do julgamento previsto para setembro.

O procurador-geral argumentou que as três empresas enviaram uma quantidade tão grande de drogas para Washington que era óbvio que estavam a alimentar o vício.

As vendas de opioides no Estado aumentaram mais de 500% entre 1997 e 2011. Em 2011, mais de 112 milhões de doses diárias de todos os opiáceos prescritos foram dispensados no Estado, o suficiente para um suprimento de 16 dias para cada residente. Em 2015, oito dos 39 condados de Washington tinham mais prescrições do que residentes.

As empresas rejeitaram as acusações, defendendo que apenas forneciam opioides que haviam sido prescritos por médicos, e que não era o seu papel adivinhar as prescrições ou interferir na relação médico-paciente.

Esta terça-feira, os distribuidores referiram que o acordo "vai promover o objetivo das empresas de alcançar uma ampla resolução de reivindicações governamentais, ao mesmo tempo em que oferece alívio significativo às comunidades nos Estados Unidos que foram impactadas pela epidemia de opioides".

Nas últimas duas décadas, as mortes de mais de 500.000 norte-americanos foram associadas a overdoses de opiáceos, incluindo analgésicos prescritos e drogas ilícitas, como heroína e fentanil produzido ilegalmente.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de