Mais Opinião

Anselmo Crespo
Anselmo Crespo

Chicão, o bicho-papão

Quando há cinco meses - antes das Legislativas -, alguém que conhece bem o CDS me disse que Francisco Rodrigues dos Santos ia ser o próximo presidente do partido, confesso que não acreditei. A viragem parecia-me demasiado radical, demasiado arriscada, demasiado desesperada. Mas, já se sabe: a desgraça de uns é quase sempre a felicidade de outros e a tragédia eleitoral do CDS - que era um desastre à beira de acontecer - era a peça que faltava ao Chicão para fazer cheque-mate.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

Piratas bons e piratas maus

Os casos começaram a surgir internacionalmente e são-nos cada vez mais próximos. O chamado Luanda Leaks é o mais recente exemplo a mostrar o poder de informações reveladas por denunciantes. Os documentos trabalhados pelo consórcio internacional de jornalistas foram facultados pela PPLAAF, plataforma de proteção de denunciantes em África, uma entidade com sede em Paris que apoiou os "whistleblowers", assegurando que não houve pagamentos envolvidos na obtenção de informação, mas apenas o objetivo de ajudar a expor práticas criminais.

Paulo Baldaia
Paulo Baldaia

PSD precisa de um abanão

Rui Rio é claramente favorito na corrida à liderança e até os maiores apoiantes de Luís Montenegro apostam que Rio acabará por suceder a Rio. Por um voto se ganha, por um voto se perde, mas percebe-se que o líder peça uma vitória que deixe a larga distância os adversários. As ameaças de Carreiras espelham a vontade de muitos dos que só sabem que não querem que Rio ganhe, qualquer um serve: Santana Lopes, Pinto Luz, Luís Montenegro... A imagem que o PSD dá de si próprio é muito pouco abonatória, as regras foram mudadas para impedir sindicatos de votos, mas as acusações de chapeladas continuam a existir.

Anselmo Crespo
Anselmo Crespo

O PSD e "o menor de dois males"

Na mesa do costume, à hora do costume, o senhor Manuel, da Courense, continuava a trazer comida para dois como se tivessem vindo 10 para almoçar. Tema de conversa? A inédita segunda volta das diretas do PSD, a fazer lembrar uma não menos inédita segunda volta das presidenciais de 1986, que colocou frente a frente Mário Soares e Freitas do Amaral, depois de deixar pelo caminho Salgado Zenha e Maria de Lurdes Pintassilgo. Num exercício que, para muitos, pode parecer inútil, eu e o meu companheiro de todos os dias ao almoço procurávamos semelhanças, diferenças e subtilezas políticas nos dois atos eleitorais, partindo sempre do princípio de que a história tem sempre alguma coisa para nos ensinar e nos enquadrar.

Inês Cardoso
Inês Cardoso

As piadas do PSD

A semana arrancou com a anedota do menino Zéquinha a conversar sobre resultados eleitorais com a professora. Em escassos dois dias, já sobravam críticas e acusações de parte a parte, na campanha para a segunda volta das eleições no PSD. Luís Montenegro reagiu às insinuações de Rui Rio sobre a oferta de lugares a troco de votos e respondeu na mesma moeda, sempre sem concretizar as referências vagas. Ouviram-se acusações de "mesquinhez" em episódios como a retirada do retrato de Rui Rio na sede do PSD em Braga. O PSD-Madeira deitou mais achas na fogueira com a direção nacional, anunciando um boicote no próximo sábado. Tudo somado, sobram exemplos reveladores de alguma desorientação e intervenções carregadas de indiretas e meias-palavras, numa eleição que tem contribuído muito pouco para dignificar o partido e a ação política.

Rodrigo Tavares
Rodrigo Tavares

Podem apresentadores de TV ser bons políticos?

Há quem aponte que Cristina Ferreira tem um timbre de romaria, ri com os dentes do sizo e responde com baixa escolaridade. Mas Cristina também é uma mulher com aquela destreza própria de quem foi íntima das dificuldades e que tem a confiança de quem conseguiu superá-las. Parece ter uma inteligência funcional apurada. E é claramente uma mulher ambiciosa. Tudo isto baralha a elite portuguesa. Recebem-na com o desdém de quem acha que a posição social deve ser mais herdada do que adquirida, mas invejam-lhe o poder que, com mérito, acabou por alcançar.

Fernando Ribeiro
Fernando Ribeiro

Desamigos

Eu tenho um perfil "meio" secreto no Facebook. Porquê? Porque quando o meu filho Fausto nasceu em 2012 alguém fez um perfil a gozar com ele chamado o Filho do Diabo 666. Esse perfil dava seguimento a um outro, construído por anónimos e que se chamava Fernando Loleiro. Consistia o dito cujo numa sequência de memes com frases minhas, retiradas do contexto, com o intuito simples e inocente de me aparvalhar e apequenar. A minha mulher, Sónia Tavares de seu nome e graça, era, obviamente, uma visada muito especial nesse perfil e também levava pela "medida certa".

Paulo Baldaia
Paulo Baldaia

Meia-dose de compromisso

O governo socialista está menos comprometido com a Esquerda que lhe viabiliza o Orçamento do Estado (OE), mas a verdade é que a Esquerda também fica menos comprometida para o resto da legislatura. Em tempos de Geringonça só com os votos favoráveis do PCP e do BE se viabilizavam os orçamentos e desta vez basta a abstenção. O PS estava obrigado a ceder em alguma coisa e, talvez por isso, António Costa diz que este é o melhor OE, porque não teve de o negociar, e isso é o mesmo que dizer que a Esquerda lhe estragou os anteriores documentos. Comunistas e bloquistas percebem bem o que lhes está a dizer o primeiro-ministro, o país também: está a esquerda toda unida por um orçamento que foi o sonho de toda a direita, um orçamento que prevê um excedente orçamental.