Mais Opinião

Fernando Ribeiro

Volta a Portugal em jerrycan

Quando me preparava para ir para a fila do gasóleo, porque fiz as contas e tinha 1341 kms para andar até dia 19 de Agosto, tive uma sorte do caraças. Na Estação de Serviço de Torres Vedras na A8, abasteci até deitar por fora, gasóleo Evologic, mais caro mas o que ponho sempre, nem sei dizer porquê. Feito isto, subtraí, por mero acaso, muito stress à minha cabeça e horas ao meu tempo. Ainda não tenho o gasóleo todo que preciso mas, de uma forma ou outra, irei consegui-lo. Ou me junto à mole que faz filas "antes de tempo" ou tenho outra vez sorte, ou algum conhecimento que me safe.

Rodrigo Tavares

Se os Exames Nacionais fossem avaliados, Portugal seria reprovado

Entre fevereiro e agosto de cada ano, cerca de 160 mil pessoas têm a sua vida escolar monopolizada pelos Exames Nacionais. É um processo potencialmente decisivo para o seu futuro. Mas é também uma romaria a um Portugal da década de 80, aquele que digita só com um dedo e que tem caderneta bancária. A modernização da administração pública portuguesa, visível em algumas áreas, continua a ser panfletária e impercetível em várias outras, deixando a população impotente perante a indolência do Estado.

José Cutileiro

Calor

Num país como a Bélgica, dividido entre duas nações que se detestam, Bruxelas é uma ilha de tranquilidade, variedade e decência - uma espécie de Nova Iorque dos pobres, se a leitora entende o que eu quero dizer. Talvez por haver aqui muitos estrangeiros, o ódio recíproco de valões e flamengos esbate-se num universo muito mais vasto. (Não estou a exagerar quanto a esse ódio. Muitos anos antes de eu pôr os pés na Bélgica, tive colega belga, embaixador como eu no Conselho da Europa em Estrasburgo, quase na idade da reforma, jovial e rubicundo, que um dia, a propósito de coisa nenhuma me perguntou: Tu sais ce que c"est que la pollution? E respondeu ele próprio: Un Wallon dans la Meuse ! Et tu sais ce que c"est que la solution? Tornou a responder: Tout les Wallons dans la Meuse!! O homem não era só belga: era embaixador da Bélgica, e deveria ter por obrigação defender os interesses de todos os belgas, mas tal não lhe passava pela cabeça.

Germano Almeida*

O que nos definirá

Até à eleição de Trump, os EUA viviam em tensão entre democratas e republicanos, conservadores e liberais, "maioria branca" e "minorias emergentes". Desde janeiro de 2017, passaram a viver numa espécie de guerra civil entre a América diversa e tolerante e a base Trump, que detém um sentimento ilusório de "pertença" dos EUA. Estes dois mundos odeiam-se mutuamente e não querem ter qualquer ponto de contacto. A busca de consenso está moribunda e as distâncias ideológicas e identitárias beneficiam quem usa a tática do "não interessa a verdade, interessa ter razão". O atual Presidente dos EUA é o principal agente de agravamento de um conflito cuja evolução vai ajudar a definir quem somos.

Daniel Oliveira

Os incendiários da palavra

O verão chegou tarde e aos soluços, mas, à passagem do seu rastilho, já fez as suas vítimas. Na perspetiva de Daniel Oliveira, nem só de chamas vive esta época de fogos, mas também de uma sede incendiária que nasce nas palavras e pode não morrer aí. "Num vídeo retirado de uma reportagem de um canal de televisão, um homem que usava o colete da Proteção Civil tenta, desajeitadamente, ajudar no combate ao fogo. Tropeça e cai", começa por dizer o jornalista.