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Porto, 03/12/2014 - Inês Cardoso, sub-diretora do Jornal de Noticias
(Adelino Meireles / Global Imagens)
Inês Cardoso

O salário mínimo e o baixíssimo salário médio

Ana Godinho, a nova ministra do Trabalho que tem a difícil tarefa de suceder à experiência de Vieira da Silva, enfrenta o seu primeiro teste na discussão do salário mínimo nacional (SMN) para 2020. Conhecida que é a meta de 750 euros traçada pelo Governo para 2023, classificada como "perfeitamente razoável" pelo presidente da Confederação Empresarial de Portugal, sabe-se igualmente que essa ambição é considerada curta pelas centrais sindicais. A UGT aponta para uma trajetória até aos 800 euros e a CGTP vai mais longe e fixa o patamar dos 850.

Rodrigo Tavares
Rodrigo Tavares

Homossexualidade e política

Mais de 300 pessoas abertamente homossexuais já assumiram cargos de poder. A Islândia, Bélgica, Luxemburgo, Irlanda e Sérvia têm chefes de governo gay. A primeira senadora LGBTI nos EUA foi eleita em 2012 (Tammy Baldwin) e a primeira governadora em 2015 (Kate Brown). A semana passada foi eleita a primeira presidente de câmara de Bogotá homossexual (Claudia López). Na Itália, passaram-se 21 anos entre a eleição do primeiro deputado gay (Angelo Pezzana), em 1979, e o primeiro-ministro, em 2000 (Alfonso Pecoraro Scanio, Agricultura).

Anselmo Crespo
Anselmo Crespo

Um país próspero não é isto

Uma senhora entra com o marido num centro de saúde com uma queimadura de segundo grau na mão. Aguarda, pacientemente, a sua vez até a chamarem. O diagnóstico é simples, o tratamento também. Basta aplicar uma pomada, proteger a mão com umas ligaduras, impedir a todo o custo que a zona da queimadura apanhe água e aguardar a cicatrização. Problema? O centro de saúde não tem a pomada necessária para fazer o curativo. Acabou. E, por qualquer motivo, não foi reposta. Se quiser ser tratada, esta senhora tem que sair do centro de saúde, ir a uma farmácia, pagar quatro euros para comprar a pomada, regressar ao centro de saúde e fazer o curativo. Foi essa a sugestão que lhe fizeram e foi isso que esta senhora fez. Incrédula, mas foi isso que fez.

Porto, 03/12/2014 - Inês Cardoso, sub-diretora do Jornal de Noticias
(Adelino Meireles / Global Imagens)
Inês Cardoso

A saia e outros acessórios no Parlamento

Nalguns países, não se entra nos parlamentos ou palácios presidenciais com vestuário excessivamente informal, chegando a ser vedado o acesso a jornalistas em calças de ganga. Não é o caso em Portugal, em que a tradição é descontraída e o protocolo flexível. Num cenário de rigidez, faria sentido discutir a saia escolhida por Rafael Martins para entrar com Joacine Katar Moreira na Assembleia da República. Não sendo o caso, há apenas uma singularidade ou uma afirmação feita através da roupa.

José Cutileiro
José Cutileiro

O Deus dará de um ateu

Começo a escrever à mão, como aprendi há 80 anos - agora não sei se ainda se aprende assim, se se aprende de maneira nova ou se já se voltou a aprender assim - em páginas da minha agenda de bolso deste ano, que vai desde 10 de Novembro do ano passado e por isso tem muita folha virgem. Esperava a minha vez na consulta porque viera adiantado: broncalina do camandro na Nos tornara telefones incapazes de chamar táxis e apanhei um que trouxera uma senhora ao lugar onde estou a viver e ficara livre. O taxista, gordo, simpático, entre sessenta e setenta, a pergunta minha respondeu que continuava a haver muito turismo mesmo com o verão acabado.