2030 à luz dos sinais dos tempos

É estranho perceber que, depois de tempos de confinamento, quando a vida retoma o seu movimento, as agendas que se viviam de uma maneira já têm modos diferentes de ser experimentadas

A coisas que aconteciam regularmente acrescenta-se um sabor diferente a que se junta um certo ar de festa prudente.

Depois de 2 anos aos quadradinhos começamos timidamente a voltar às reuniões presenciais, conscientes de que a pandemia ainda nos acompanha, mas que temos de encontrar soluções ágeis para a situação socioeconómica em que vivemos e para a indefinição do que amanhã nos trará.

Uma pandemia, o aumento do custo de vida, uma crise social e uma guerra não são acomodáveis em nenhuma normalidade e o grande desafio é a prontidão, a aceitação de que não há receitas para se resolverem os problemas que não podemos antever e não ousar pensar que, uma nova crise faz desaparecer a anterior.

Foi num espírito de União pela paz que aconteceu em Atenas, na semana passada a Conferência Regional 2022 da Cáritas Europa inspirada pelo tema "Caritas. Visão 2030 à luz dos sinais dos tempos" que procurou refletir, em conjunto, sobre a visão da rede para 2030 e sobre como ouvir melhor a voz dos mais vulneráveis nestes tempos.

A Caritas Europa é uma rede de 49 organizações de 46 países e a Conferência Regional é a sua principal assembleia estatutária de tomada de decisões. Esta Conferência Regional juntou 124 delegados de 39 países. Foi possível partilhar experiências, avaliar as consequências para a rede dos tempos que vivemos, conhecer melhor as principais dificuldades e as boas praticas encontradas, ouvindo contributos de todo os países e de entidades (políticas e religiosas) da Grécia e da Ucrânia. Vivendo a Europa num contexto do conflito em curso na Ucrânia e dos desafios humanitários daí resultantes, este assunto foi naturalmente presença permanente e de todos os participantes (internos e externos) reconheceram a importância da Caritas para mitigar as consequências devastadoras das várias crises, como as mudanças climáticas, a pandemia de COVID-19 e a guerra na Ucrânia contra os mais vulneráveis do mundo.

António Guterres pediu que a Caritas mantivesse o empenho porque o "Seu compromisso com a paz e a justiça e as suas contribuições para combater a pobreza e a desigualdade são mais críticos do que nunca."

Ficou a consciência de que o compromisso da Rede é reconhecido e importante, bem patente nas palavras de Mons. Michael Landau, Presidente da Caritas Europa:

"O nosso compromisso comum faz uma diferença substancial para muitas pessoas (...). Defendemos uma Europa social capaz de lidar com as consequências da pandemia e da guerra".

Da discussão temática intensa que foi feita saíram as seguintes recomendações principais:

1. Estabelecer em nível nacional comités consultivos envolvendo na decisão os beneficiários da ação.

2. Fortalecer a Caritas na missão da Igreja e construir a participação no trabalho da proximidade;

3. Habilitar estruturas para facilitar e melhorar o envolvimento de jovens e mulheres na Caritas em todos os níveis, incluindo a governança.

Estas recomendações devem orientar as reflexões da rede europeia à medida que procuram implementar o Quadro Estratégico 2021-2028 e responder aos sinais dos tempos.

Enfim ... Hoje não estou aliviada... Temos tanto que fazer ... Mas desta reunião saíram também projetos e parcerias para conseguirmos rentabilizar os recursos e apoiar mais e melhor. Esse é o nosso desafio.

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