A aldrabice que prejudica os países que testam

A aposta de fazer testes à Covid-19 em massa não pode ser vista como negativa, já que no início da pandemia os países que tiveram capacidade de o fazer foram "dados como exemplos". No habitual comentário na TSF, Daniel Oliveira lembra que Portugal é "um dos que mais testa no mundo e o terceiro da Europa".

"O preço de testar muito é que isso, aumenta o número de infetados identificados e isso tem repercussões na imagem do país", explica, sublinhando que "se um país não testar ninguém, só tem Covid quem esteja internado por isso".

Nesta perspetiva, o jornalista considera que divulgar "o número de infetados sem referir o número de testes feitos não tem qualquer valor", já que o relevante para perceber a eficácia do SNS é "olhar para os óbitos, para os internados e para os cuidados intensivos".

Se o critério dos países que não deixam entrar cidadãos vindos de Portugal "tem sido o número de infetados por 100 mil habitantes", trata-se de uma "aldrabice". Esconder a realidade, não testando, "faz-se para consumo interno do ponto de vista político e para uma concorrência quando chega o verão e as pessoas escolherem os países para o turismo".

"O critério que está a ser usado é um convite à mentira e à não realização de testes", aponta, alertando que a "UE devia ser clara a contrariar este critério e, além de abrir as fronteiras, exigir que se contrariasse este critério".

Assim, Daniel Oliveira mostrar discordar de Paulo Rangel, frisando que "os critérios são tudo o que interessa porque são o problema". "A não ser que Portugal participe nesta fraude e pare de fazer testes", questionou.

Por fim, o comentador sublinhou ainda que lhe parece uma "especial estupidez arriscar final da Champions em Portugal", já que "basta que alguma coisa esteja a correr mal na altura para confirmar imagem injusta e pouco honesta".

* Texto de Inês André Figueiredo

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