A boa notícia da Alemanha

Para quem segue a política internacional os últimos dias têm sido muito preenchidos.

Estivemos centrados em Glasgow a tentar perceber o alcance do acordo sobre as alterações climáticas. Sinceramente, não me parece que, apesar da urgência e do entusiasmo, os resultados tenham estado ao nível da responsabilidade ambiental que o momento exige.

Entretanto, na Etiópia a violência não parece ter fim, tal como o conflito entre a Arménia e o Azerbaijão. Na Bielorrússia e face ao seu ditador faltam-me palavras e adjectivos para descrever a sua desumanidade.

Há muito mais, mas gostaria de chamar a atenção para a China. Na última semana, o plenário do Comité Central reuniu-se em Beijing.

Sem surpresas vamo-nos preparando para que no Outono de 2022, aquando do 20º Congresso do Partido Comunista da China, Xi Jinping dê início a um terceiro mandato. A nota oficial da reunião não deixa quaisquer dúvidas sobre quem está no centro do poder desta China.

Tivemos ainda esta semana uma cimeira virtual entre o Presidente Joe Biden e o Secretário-Geral do Partido Comunista da China, cargo muito mais poderoso, muito mais importante do que o de Presidente da República, Xi Jinping. Talvez o aspecto mais relevante desta cimeira tenha sido mesmo a sua realização.

Tendo em conta a pandemia, a organização dos Jogos Olímpicos de Inverno e este 20º Congresso eu diria que 2022 vai ser um ano muito intenso e quente em matéria de análise política e também de maior assertividade externa da China.

Mas, para além destas notícias importantes hoje trago o que se pode chamar de uma não-notícia sobre um país crucial: a Alemanha. Ora bem este país com cerca de 80 milhões de habitantes (segundo o World Fact Book) e o coração económico do continente europeu teve eleições no final de Setembro e tem estado, desde então, em negociações para a formação de uma coligação governativa. No entanto, já estamos em meados de Novembro e, espanto dos espantos, não temos sinais de turbulência política.

E, com imenso sentido de estado, Angela Merkel tem-se feito acompanhar de Olaf Scholz, o seu sucessor, nas reuniões internacionais. Há, de facto, uma passagem de testemunho governativo entre os dois partidos principais da democracia liberal alemã, a CDU de Angela Merkel, ou melhor ainda de Angela Merkel, e o SPD de Olaf Scholz, sem dramas, sem golpes baixos e sem mediatismos.

Na verdade, a transição de poder na Alemanha é uma lição de maturidade política que nos deve fazer reflectir a todos. Tendo em conta os tempos conturbados em que vivemos é mais do que uma não-notícia. É mesmo uma boa notícia.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de