A necessidade de não falhar

Até agora, os três principais - ou únicos - candidatos ao título não derraparam. Com maior ou menor dificuldade, Sporting, FC Porto e Benfica ultrapassaram os obstáculos iniciais no campeonato e assim pretendem continuar, pelo menos até à primeira pausa na prova. Está aí mais uma jornada e nada se altera em relação ao que cada um pretende (e necessita) nesta altura: não falhar.

O Benfica é o primeiro deles a ser posto à prova e este podia ser um bom pretexto para começar pelas águias. Mas há mais. Ao contrário da concorrência ainda está a trilhar o caminho de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões e aquilo que se segue é "apenas" o jogo que tudo vai decidir.

A visita a Eindhoven, depois do triunfo na Luz que deixou o play-off em aberto, é o primeiro momento determinante do Benfica nesta temporada. Há milhões ou não há milhões, eis a questão. Portanto, seguindo a lógica que presidiu à opção de fundo no mês de agosto, Jorge Jesus vai desenhar a equipa para Barcelos em função do que pretende para defrontar o PSV.

Mais uma reformulação profunda do onze está na calha, eventualmente a utilização de um 4x4x2, enfim, nada que não esteja na linha daquilo que o técnico entende ser a melhor saída para conquistar o "título financeiro" que só a Champions pode oferecer.

Dá-se a coincidência dos encarnados irem defrontar um Gil Vicente que é igualmente colíder do campeonato. É a única formação, para lá dos três grandes, que também está na fasquia dos seis pontos. Embora o Benfica tenha armas mais do que suficientes para enfrentar tal adversário (quem equaciona saídas como as de Vinícius ou Waldschmidt não pode queixar-se de falta de qualidade), será sempre curioso aferir qual a capacidade gilista para aproveitar o balanço de duas vitórias importantes nas jornadas anteriores. E, já agora, até onde levará a intenção de aproveitar o facto do Benfica dificilmente conseguir tirar o PSV da cabeça.

O Sporting regressa a Alvalade, depois de um importante triunfo em Braga, certamente uma das deslocações mais complicadas para quem quer defender o estatuto de campeão. Passou com distinção e não se espera que a Belenenses SAD constitua agora uma barreira intransponível para uma equipa que, de várias formas, tem demonstrado uma solidez e um equilíbrio muito apreciáveis para esta fase da temporada.

Claro que não faz sentido partir do princípio de que o jogo está resolvido, pois o futebol não funciona assim. Mas, reconheçamos, seria surpreendente se o Sporting perdesse pontos neste duelo. De resto, olhando para os dados que derivam do início oficial da época, a equipa de Petit já vai na terceira derrota consecutiva (incluindo a da Taça da Liga com o Mafra) e mostrou estar com alguma dificuldade para ultrapassar várias debilidades nos setores.

Pelo contrário, o leão está a prolongar no arranque desta temporada o que fez de melhor na anterior, também porque Ruben Amorim sabe aproveitar como poucos os (bons) recursos de que dispõe. Aliás, este é o ponto fulcral para o sucesso, uma vez que a saída de João Mário está claramente superada e, em boa verdade, parece nem sequer ter mexido com as dinâmicas do meio campo. Está lá Matheus Nunes e bem.

Para encerrar a sequência, o FC Porto joga fora novamente. A Madeira nunca é um passeio e este Marítimo permanece uma incógnita. A última partida, precisamente com a Belenenses SAD, indicia que pode crescer, mas os dragões são adversários de outro patamar, como o Braga também foi na ronda inaugural.

Mas este desafio vai depender muito daquilo que o FC Porto conseguir fazer dele. E olhando para a partida de Famalicão poder-se-ia resumir tudo a uma lógica imbatível: aquele FC Porto da primeira parte sim, o da segunda não. Ter o pássaro na mão, aparentemente seguro, e quase deixá-lo fugir depois é uma daquelas situações que um candidato não pode permitir.

Sérgio Conceição precisa do cruzamento de dois fatores para construir o plantel que, no fundo, deseja: conservar a grande maioria das peças-chave da equipa e colmatar as insuficiências que se notam.

Se em relação ao primeiro estará sempre dependente do que o mercado decretar atá ao final do mês, já no segundo parece que algo está a avançar. No pós-indignação (no banco) da semana passada, chega Wendell para a lateral esquerda, algo que pode resolver uma das dores de cabeça evidentes do treinador.

De qualquer modo, nada daquilo altera o favoritismo portista. E se do ponto de vista defensivo algumas coisas não estão a bater certo, também não é menos verdade que a componente ofensiva está a dar conta do recado. Ora, nesta fase da época, mesmo que o brilhantismo não surja, o pragmatismo pode valer ouro. Entenda-se, pontos.

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