A nova rotina

Agora é non-stop. Benfica, FC Porto e Braga deixaram de ter as jornadas do campeonato "após" os jogos europeus, para passarem às jornadas "entre" os jogos europeus. Este "novo normal", no caso concreto do futebol português, instalou também uma nova rotina.

Isto significa que o trio nacional na UEFA terá uma cadência de encontros, até meados de novembro, cujos reflexos são aguardados com alguma curiosidade. Neles e no Sporting, que observa à distância.

Esta ronda 5, no plano teórico, poderá nem ser das mais problemáticas para Benfica e FC Porto. Ambos jogam em casa e surgem como favoritos perante os adversários (Belenenses SAD e Gil Vicente, respetivamente), o que significa que é da sua competência não complicar um cenário que, à partida, lhes é favorável.

As águias juntam o recente triunfo na Polónia ao facto moralizador de seguirem isoladas na frente da classificação. E também à afirmação de uma capacidade ofensiva que o hat-trick de Darwin só veio reforçar. As dúvidas permanecem, contudo, no plano defensivo, com a necessidade de instaurar as necessárias rotinas no eixo central, bem assim como a apetência mais atacante do que defensiva protagonizada pelos atuais laterais.

Falta saber de que modo Petit pretende explorar a situação, por exemplo, como o Farense fez na Luz. E se o Benfica permite.

O caso do FC Porto não difere muito, no que respeita às intenções e ao método. Os dragões perderam cinco pontos nas últimas duas jornadas, pelo que são "obrigados" a regressar às vitórias. Apesar de ter sido a única equipa portuguesa derrotada no plano europeu, o desaire com o Manchester City não terá certamente reflexos anímicos, até porque são realidades distintas e as circunstâncias do jogo em Inglaterra foram as que se sabe.

É verdade que o Gil Vicente ainda não perdeu esta época, mas tem um jogo a menos e também não defrontou um adversário deste calibre. Para Sérgio Conceição o problema nem será tanto a partida com os homens de Barcelos, mas sim a articulação dela com o desafio seguinte com o Olympiacos, este absolutamente crucial para se recolocar na corrida no seu grupo da Champions.

Uma palavra igualmente para o Braga. Começou muito bem a campanha na Liga Europa, mas tem no campeonato uma das mais complicadas deslocações nesta fase. Ir a Guimarães defrontar um Vitória em mutação é um teste de grande exigência. Mas também uma maneira de aferir da real capacidade de resposta da formação de Carlos Carvalhal para manter um nível elevado em duas frentes em simultâneo.

Ao contrário dos rivais, o Sporting tem esta época centrada unicamente nas competições domésticas. O que, do ponto de vista do desgaste, até pode ser uma vantagem, além de que possibilita a Ruben Amorim dispor de mais tempo para trabalhar com o plantel e acelerar a definição da estrutura da equipa.

Claro que isto não é obrigatoriamente uma receita para o sucesso. No entanto, convém não esquecer que uma das melhores classificações da equipa leonina no passado recente registou-se precisamente numa temporada em que esteve ausente das provas da UEFA : Leonardo Jardim deixou o Sporting no segundo lugar e na Champions.

Depois do que fez frente ao FC Porto, é plausível que a progressão da equipa de Amorim continue, sendo que esta partida com o Santa Clara é um ótimo teste para avaliar se o crescimento é sustentado. Se superarem aquele obstáculo, os leões podem tornar-se nos primeiros perseguidores das águias, após a partida com o Gil Vicente, no acerto de calendário.

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