A pandemia e o preço das 12 passas na Europa

Não existem palavras suaves para descrever a evolução da pandemia: a incidência disparou. Só ontem foram registados 2371 casos de covid-19 e cinco mortes. Perto do final de novembro, e quase dois anos depois do início da pandemia (a 1 de dezembro de 2019 em Wuhan, na China), não imaginávamos estar de novo a viver uma situação sanitária tão preocupante.

Os dados mais recentes mostram que há agora 528 internados (mais 5 que no dia anterior), dos quais 79 em unidades de cuidados intensivos (mais 7). A vacinação permitiu poupar 2300 vidas desde maio, mas não é tudo. Falta cortar a transmissão do vírus e, conforme avançou o DN, só em 2022 chegará uma vacina com essa capacidade.

A incerteza sobre a forma como vamos atravessar outono-inverno agiganta-se. O governo reuniu esta sexta-feira com os peritos do Infarmed. Vêm aí novas restrições, mas não um confinamento rígido. E ainda bem, porque a economia não aguentaria mais uma paragem total.

A situação de Portugal enquadra-se no que tem vindo a suceder em toda a Europa, que é, de novo, o epicentro da pandemia. Tal como a Organização Mundial da Saúde (OMS) avisou, os países com forte aumento de casos de covid-19 veem-se obrigados a adotar, de novo, restrições para travar a nova vaga. O regresso ao teletrabalho e o reforço da vacina ou até a sua obrigatoriedade, decretada pelos alguns governos são medidas já adotadas ou ponderadas por muitas nações europeias.

Toda a Europa está alinhada e empenhada em evitar confinamentos radicais. Vejamos alguns exemplos: nos Países Baixos, os holandeses iniciaram um confinamento parcial de três semanas. Na Alemanha foram aplicadas algumas restrições a não vacinados, como a exclusão de certos locais públicos. Mais: há vacinação obrigatória para trabalhadores de certos setores, como a saúde e, claro, recomenda-se teletrabalho.

Na Irlanda os pubs, clubes e restaurantes voltam a fechar mais cedo. Junta-se ainda o trabalho obrigatório a partir de casa, bem como apresentar o certificado europeu de vacinação nos hotéis e nos cinemas. E nos meios de comunicação locais já se fala na necessidade de introduzir mais restrições nas próximas semanas, excluindo um confinamento total.

A Áustria impôs um confinamento aos não vacinados, que só podem sair por motivos justificados e foi mais longe: acaba de declarar obrigatória a vacina a partir de 1 de fevereiro. Na República Checa dá-se agora o pior momento da pandemia, superando os piores níveis do ano passado. Na Hungria, na saúde haverá reforço da vacina e as máscaras voltam a ser obrigatórias em espaços fechados.

A Bélgica estendeu o uso obrigatório de máscaras a partir dos 10 anos e decidiu que o teletrabalho é obrigatório. Já no país de Emmanuel Macron, reintroduziu-se o teletrabalho para travar uma nova vaga do coronavírus e em Itália já há obrigação de apresentar o certificado sanitário nos meios de transporte, incluindo os táxis.

A Suécia, que no início se distinguiu na gestão da pandemia, vai exigir a partir de 1 de dezembro, pela primeira vez, certificado de vacina contra a covid-19 em eventos em espaços fechados com mais de cem pessoas. Estes são apenas alguns exemplos do quadro que toca a todos os europeus.

A OMS estima que até fevereiro possam ocorrer mais 500 mil mortes devido à covid-19. São previsões duras. Podemos optar apenas por nos queixar, mas de pouco valerá. O quadro não é cor-de-rosa e quanto mais depressa atuarmos, melhor, se queremos celebrar o Natal com alguma paz e celebrar com saúde mais uma passagem do ano.

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