"À vontade não é à vontadinha"

A pandemia já não abre os noticiários na rádio ou na televisão e muito menos dá título a crónicas de opinião, como esta. A Covid-19 deixou de estar na moda ou, como se diz nas redações, deixou de ser um tema sexy.

Desde que começou a guerra na Ucrânia que, de forma ilusória, desapareceu o vírus. Por 78 dias deixámos de estar preocupados e focámos a nossa atenção nas informações e imagens que nos foram chegando do horrendo conflito que assola um país do continente europeu.

Mas eis que de repente, à nossa volta, surgem casos de contágios por Covid-19 como cogumelos. Mais de dois anos passados desde o inicio da pandemia em Portugal, "começa a desenhar-se" a sexta vaga, alerta um novo estudo do Instituto Superior Técnico.

O mesmo relatório indica que a incidência média a sete dias aumentou de 8.763 para 14.267 casos desde 19 de abril, e que isso se deve "à retirada abrupta do uso de máscara em quase todos os contextos" bem como à nova BA.5 da variante Ómicron que começa a instalar-se" no país.

Nas últimas semanas, em dois grandes eventos públicos em que participei e a Diretora Geral de Saúde também, reparei que Graça Freitas continuava a usar a sua máscara, do princípio ao fim dos encontros, apesar do fim da obrigatoriedade generalizada do uso desde o passado dia 22 de abril. Desse modo, e mesmo sem falar do tema, mostrava que pandemia ainda não acabou e que poderá ser necessário manter algumas cautelas ainda por mais tempo.

Todos sabemos que as temperaturas de quase 30 graus não convidam ao uso da máscara, mas vejamos: o índice de transmissibilidade (Rt) já tocou 1,17 e daí o relatório do Técnico falar em sexta vaga. Pior: está "a desenhar-se de forma muito intensa", escreve o relatório.

O verão está à porta, mas como se diz na tropa "à vontade não é à vontadinha".

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