Aplauso comedido a Fernando Medina

Há exatamente um mês, titulei a crónica na TSF como sendo de "um velho do Restelo", chamando à atenção para a absoluta certeza de que a taxa Euribor iria subir um a dois pontos este ano. Isso fará com que à inflação, que nada tem de provisório, se junte uma prestação da casa bem mais cara. O governo não vai utilizar o orçamento do Estado para atenuar esta perda de poder de compra e eu, contrariando o "vox populi", acho que faz muito bem.

Há 15 dias voltei à carga, titulando que o "PS está a tentar evitar o erro de Sócrates", que deu aumentos de 2,9% à Função Pública num ano para cortar dois anos depois entre 3,5 e 10% desse mesmo salário. Repeti que "a mim até me parece muito bem que o governo se comporte com responsabilidade, só lhe falta[ndo] coragem política para assumir que é isto que está em causa".

É a hora do aplauso comedido ao ministro das Finanças. Aplauso que só não é mais efusivo e prolongado, porque Fernando Medina precisa de dizer a todos os portugueses aquilo que já anda a dizer aos militantes do Partido Socialista. A agência Lusa noticiou que na segunda-feira, numa sessão com militantes socialistas de Lisboa, "o ministro das Finanças considerou vital uma estratégia orçamental de proteção e de antecipação das dificuldades que se avizinham com o aumento das taxas de juro para o país ter mais tarde margem de manobra".

Medina, segundo o relato da agência, explicou de forma clara que o país precisa de se preparar para tempos de maior incerteza e maior dificuldade, fazendo a defesa da sua posição ao lembrar que uma das qualidades principais de um governante "é a prudência e a capacidade de antecipar o mais possível o futuro e ser capaz de adotar as medidas que melhor protejam a comunidade".

Tenho sérias dúvidas que Fernando Medina possa seguir este caminho sem a concordância de António Costa, sobre o qual não terá a capacidade de influência de Mário Centeno. Mas o país agradece que não seja a repetição de Fernando Teixeira dos Santos que a primeira vez que fez voz grossa para o primeiro-ministro já o país estava na bancarrota.

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