Campeões na educação. Pode ser?

Num país em que o combate à Covid-19 nos coloca atualmente nos piores lugares do ranking europeu, depois de termos sido elogiados em vários órgãos de comunicação social do mundo inteiro pela excelência do nosso combate, o novo milagre tem um preço a pagar. É caro? É barato? Não sabemos, ninguém nos diz que cláusulas estão no contrato. A Champions será jogada em Lisboa, num formato parecido com um Europeu de clubes, e só esta insistência num centralismo que reduz um país à sua capital já representa um preço significativo.

Mas há pior, há uma promessa escondida, a de que a Champions se vai poder jogar com público nas bancadas. Ainda ontem a Dinamarca anunciou a reabertura das fronteiras, exceto aos vizinhos suecos e aos portugueses. Numa Europa que nos fecha as portas, porque não confia em nós, Portugal paga uma campanha para fazer de conta que está tudo bem. Quanto custa? Não nos dizem.

Recebemos três anos consecutivos o Óscar de melhor destino do Mundo e não queremos aceitar que temos o país às moscas, porque o turismo continua, em todo o mundo, a ser o setor mais atingido pela pandemia e também porque os pequenos fluxos que já se começam a ver se dirigem a outras paragens, consideradas mais seguras. Parecemos o pato bravo, que enriqueceu no setor da construção, mas assim que chega a crise do imobiliário, desata a comprar Mercedes para toda a família a ver se ninguém percebe que a falência lhe bateu à porta.

Pagamos o que tivermos de pagar, convencidos que estamos que o retorno em turistas será como o regresso da galinha dos ovos de ouro. É um risco. Se a curva ascendente, que agora se verifica, ao contrário do que se passa no resto da Europa, não inverter, podemos ter uma comunicação sobre a Champions carregada de más noticias para o exterior. Será pior a emenda que o soneto. Ninguém esquece, e ninguém disfarça, que são os euros a principal motivação para tão grande empenho.

Igual empenho, com o Presidente da República, o presidente do Parlamento, o primeiro-ministro e o ministro da Educação alinhados para a fotografia, anunciando que as crianças e os jovens vão todos voltar à escola é que fazia de nós um país diferente. Não diferente dos outros, porque na maioria dos países já vão à escola, mas diferentes da miséria política em que escolhemos viver. Porque em vez do forró, dávamos prioridade ao combate da mais grave das desigualdades, aquela que se não for travada na escola, se prolonga pelo resto da vida.

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