Decisões que importam

O início do segundo período letivo encaminhou os alunos de volta aos locais que lhes inspiravam já saudades, após um prolongamento forçado da pausa do Natal por motivos sanitários, conforme nos foi explicado.

A semana da contenção atrasou o início das aulas, retomadas num contexto em que as mudanças das normas da Direção-Geral da Saúde prometem menos confinamentos a favor da presença dos alunos e professores, o que se saúda.

A vacinação dos mais jovens nas últimas semanas e a certeza de que os diretores das escolas públicas não baixarão a guarda relativamente ao cumprimento das regras e dos procedimentos implementados nos estabelecimentos escolares, numa atuação implicada e criteriosa desde março de 2020, deixa antever meses mais calmos, propícios ao aumento da qualidade das aprendizagens e do bem-estar emocional dos discentes.

Por isso, é o momento para olharmos empenhada e efetivamente para a essência da Educação, para as suas virtudes e potencialidades, mas particularmente para os seus constrangimentos, trazendo à discussão temas que deverão ser alvo de resposta pelo próximo governo.

A assumir contornos de pandemia, o nosso país ressente-se já do mal que outros experienciaram, com consequências marcadamente danosas na qualidade da Educação - a escassez de docentes. Urge, assim, travar a tendência, que passa pela definição de um conjunto de medidas de operacionalização exequível, que contrariem uma fatalidade previsível a curto prazo. Neste sentido, considerando este e outros problemas, impõem-se mudanças céleres e profundas: i) na avaliação de desempenho de docentes e diretores, tendo em conta as injustiças que encerra e o mal-estar que gera entre estes profissionais; ii) no modelo de acesso ao ensino superior, atendendo à ponderação dos resultados dos exames e ao desprezo atribuído pelas instituições de ensino superior numa responsabilidade que deve ser sua, tornando o ensino secundário um ciclo redutor, com finalidade única de obter médias para entrada nas universidades; iii) na reestruturação do ensino secundário, atribuindo-lhe uma função mais consentânea com o seu grau de importância, flexibilizando-o, libertando-o para o aprofundamento das soft skills, do desenvolvimento de capacidades e aprendizagens transversais, tão importantes para o seu sucesso futuro; iv) do imenso trabalho burocrático, que enleia o dia a dia dos professores, retirando-lhes tempo de trabalho com e para os alunos, sobrecarregando o seu horário semanal com um elevado número de horas não remuneradas.

São questões para as quais os futuros responsáveis pela Educação de Portugal deverão direcionar as suas energias, as suas ações, num sinal claro e impregnado de vontade de continuar a melhorar resultados e a qualidade de um processo ensino-aprendizagem que se augura mais aliciante e motivador quando em prol do desenvolvimento integral dos alunos, respeitando e reconhecendo os seus profissionais e obtendo a satisfação das comunidades escolares.

Considero de crucial importância o envolvimento das diversas sensibilidades da área educativa, de todos aqueles que possam proporcionar excelentes contributos para a melhoria das aprendizagens e dos resultados escolares, com foco também na preparação dos discentes para a sociedade, capacitando-os com valores e princípios imprescindíveis às vivências do quotidiano, onde deve imperar o humanismo nas interações que se estabelecem na comunidade e em sociedade.

Não auguro um fim a breve trecho para o momento difícil com que lidamos há 22 longos e duros meses, mas importa mudar a agulha de um percurso que não se deseja mais trilhar e aproveitar o resultado (seja qual for) das eleições legislativas para tomar decisões que importam.

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