Deu uma volta de 360 graus

São comuns as gafes à volta dos graus que identificam as voltas que a vida que dá. A mais comum é sobre o caminho que é preciso fazer para que as coisas deixem de ser como são e passem a ser exatamente da forma contrária. Vezes demais, a vontade não corresponde ao que somos capazes de fazer e acabamos a anunciar uma volta de 360 graus, fugindo-nos a boca para a verdade. Tanta bazófia nos anúncios, acabou por nos deixar exatamente no mesmo sítio. Em estado de alerta, por causa dos incêndios.

Não é que pudéssemos fazer alguma coisa em relação às altas temperaturas que fazem elevar o risco. Não, pelo menos, de forma imediata. Mas, exatamente três anos e um mês depois de Pedrógão Grande, a volta que queríamos de 180 graus, está quase a transformar-se numa volta de 360 graus. Em quase tudo, está tudo quase na mesma.

Porque choveu muito e o mato muito cresceu. Porque havia muito mato para cortar e poucos braços para o fazer. Porque tudo o que não seja Covid não merece a nossa atenção.

Três anos depois, a tragédia pode repetir-se. Já voltamos a enterrar um bombeiro e já voltamos à contabilidade dos feridos e dos feridos graves. Eu vi com os meus olhos estradas municipais tomadas pelo mato, na zona fatídica de há três anos, impedindo que essas estradas possam funcionar como pontos de fuga para alguém que se venha a sentir cercado nalguma daquelas aldeias.

Depois de dezenas de mortos, prometemos todos, uns aos outros, que iríamos dar uma volta de 180 graus na prevenção, como forma de evitarmos ter de fazer um combate em que estamos derrotados à partida. Comissões e comissões e mais comissões depois, a volta pode bem ter sido de 360 graus. Não é uma gafe, é mesmo incompetência.

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