Direita tem de governar sem o Chega

Quando chegarmos àquele primeiro dia em que quisemos a república no lugar da monarquia, para que o voto do povo passasse a valer mais que o sangue real. Quando chegarmos a 31 de janeiro, data em que se celebra o primeiro levantamento militar (em 1891) para depor a monarquia, estaremos no dia seguinte a mais umas eleições legislativas e o povo terá decidido.

Atentem porque uma larguíssima maioria voltará a votar pela democracia e não devemos ficar reféns, nem à direita nem à esquerda, de um partido parasita, que vive nela para a subverter.

Socorro-me de um texto de Pacheco Pereira, escrito há exatamente um ano no jornal Público, para explicar a quem quer o poder pelo poder que não serve de desculpa o argumento de que à esquerda o PS também se aliou aos radicais comunistas e bloquistas. Pacheco evidenciou o caminho que foi feito pelo PCP e pelo Bloco em direção à democracia com programas ativos que afastaram estes dois partidos da raiz marxista-leninista. É claro para toda a gente que nenhum destes dois partidos tem trabalhado para derrubar a democracia e substitui-la pela ditadura do proletariado. O Chega, sim, defende a implosão do sistema, caminha para fora da democracia, é racista e xenófobo.

Acresce que faz muito pouco sentido julgar Chega, PCP e Bloco iguais, considerar que é péssimo para o país ter os comunistas a apoiar um governo, mas aceitar como bom que o Chega apoie um governo de direita.

Aqui chegados é preciso dizer com toda a clareza que, perante o fracasso da geringonça, se o PSD ganhar as eleições deve governar. Perante uma derrota do PS e a saída de cena de António Costa, mesmo com uma maioria de esquerda, aos socialistas impõem-se que viabilizem um governo social-democrata, deixando passar pelo menos dois orçamentos que terão de ser votados no próximo ano, o orçamento de 2022 e o de 2023. Nestas circunstâncias, o PS terá de encontrar nova liderança e sujeitar-se de novo a votos.

Se a maioria acontecer à direita, juntando os deputados do Chega, a obrigação de viabilizar um governo do PSD, que exclua o partido racista e xenófobo, é de todos os partidos que defendem a democracia. Com vitória do PSD ou maioria de direita têm de ser os social-democratas a governar.

Para lá chegarmos é preciso que todos os partidos falem com clareza sobre a política de alianças que defendem. O que admitem e o que rejeitam nesta matéria é essencial para muitos portugueses decidirem o voto. Todos os compromissos com a democracia são absolutamente necessários.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de