Educação pela positiva

Estranho, ou talvez não, o facto de ter passado despercebida a (excelente) novidade do "novo mínimo" atingido no respeitante à taxa de abandono precoce da educação e formação: 5,2%, no final do 3.º trimestre deste ano.

A imprensa considerou desmerecer destaque relevante este feito histórico, sustentado no trabalho profícuo das escolas, e dos seus profissionais, superando o valor de compromisso com a União Europeia para 2020.

No entanto, a Educação não ficou esquecida pelos meios de comunicação social nesta semana, escalpelizando, quase até à exaustão, a escassez de professores e a violência contra o jovem ferido na sequência de disparos junto a escola do sul do país.

Respeitando a linha editorial e os respetivos critérios entendidos à luz do direito de informar, percebe-se que tendencialmente valoriza-se o lado negativo de realidades que se constituem de múltiplas facetas, todas elas importantes.

E, por esse motivo, lastimo a supressão informativa de factos educativos que naturalmente motivariam e encheriam os portugueses de orgulho, tendo em conta a notável conquista alcançada pela Educação nacional.

Ademais, tendo apresentado apenas o mais recente exemplo do muito bom que ficou no baú do desconhecimento, todos os dias as escolas habilitam-se a ser notícia pela positiva, atendendo a práticas e iniciativas que contribuem para que os alunos as sintam como lugares aprazíveis, construtivos e integradores, e que colhem a confiança dos pais e encarregados de educação.

A verdade é que a Escola também vive com muitas dificuldades e problemas, que tenta ultrapassar a custo, com a galhardia de quem conhece na primeira pessoa as suas crianças e jovens, compreende a sua comunidade, as suas dinâmicas e encontra soluções eficazes para minorar os constrangimentos e potencializar o sucesso, o crescimento sustentável e saudável de todos - os diretores e equipas diretivas, professores, técnicos especializados, assistentes técnicos e operacionais.

Não querendo que resultem apenas em chavões, estes profissionais criam condições para que a equidade e a inclusão sejam efetivas e efetivadas, sentidas como baluartes de um ensino plural. A qualidade do sucesso pessoal e académica implica o aumento de estratégias diversificadas e os progressos escolares, as aprendizagens consolidadas coexistem numa correlação intrínseca e primordial com as atitudes e valores dos alunos, construídos ao longo da sua vida estudantil, e cada vez mais valorizados pela sociedade.

Criar laços, fomentar a empatia, a solidariedade, fortificar o elo vital do eu com o outro é o sustentáculo do humanismo, abraçado e incrementado pela Escola e, a meu ver, a decair na sociedade.

Se é verdade que alguns dos que se arrogam defensores da escola (pública) persistem numa toada de apequenar e desacreditar, em todos os sentidos, a sua imagem, muitos outros há que, diariamente, trabalham empenhados na frente da batalha, deixando tudo em campo, quantas vezes fazendo omeletes sem ovos, para honrar a sua profissão e engrandecer a Educação.

É prioritário acarinhar as nossas escolas, as ações que assumem, motivando os seus profissionais, porque eles existem para as crianças e os jovens do porvir. E, nesse sentido, a comunicação social poderá ser um aliado assaz importante.

Não podemos deixar de parte quem mais deve fazer - a tutela e o ministério das Finanças, que devem assegurar que todos os profissionais que labutam nas escolas tenham melhorias na carreira, incentivos de deslocação e residência, vejam exterminada a infame avaliação de desempenho docente, e lhes seja atualizado os vencimento na proporção que lhes solicitam cada vez mais responsabilidades, maior carga burocrático e um incomensurável trabalho de casa que lhes retira tempo para a família.

Admitindo que os media poderão melhorar a sua atitude para com as escolas, não menos verdade é que aos governos exige-se o respeito e a dignificação por profissionais de excelência, os que colocam o país em evidência.

É justo!

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