Esperança e receio em tempo de férias. Expectativa retomar

Portugal vai de férias e esta rubrica também.

Neste 1 de Agosto vivemos ainda angustiados com uma pandemia que não parte e um futuro que teima em não se deixar programar. Ninguém tem certeza de nada e as certezas absolutas são agora, por natureza, incertas. As férias planeiam-se a medo e o ano letivo é uma incógnita que exige a preparação com múltiplos cenários. O retorno de férias é colorido com as cores de uma esperança enevoada.

Infelizmente tendemos a olhar para as crises como se estas se resolvessem quando o fator inicial se resolve, mas, de facto, quando o estado pandémico for declarado findo, as sequelas exigirão de nós uma atenção e um empenho para que temos de nos preparar.

A retoma da crise anterior quase colou com esta e muitos setores vêm com dúvida e apreensão a fase pós-pandémica. Será a fase de cuidar da crise económica, já sem as medidas protetoras e todos almejam ser capazes de retomar. Que muitos retomem é a esperança de nós todos, mas em especial dos que foram embrulhados na crise social com que a pandemia nos bafejou.

"A crise social vem sempre depois." Ultrapassamos a crise económica, mas a crise social persiste. Agora tememos que isso aconteça também. "No momento em que tudo aparente alguma normalização, iremos perceber quais são as empresas que conseguem fazer a retoma, quais os empregos que se conseguem manter e evidentemente quais não vão conseguir"

Nem todas as respostas precisam de dinheiro e o dinheiro que houver tem de se usar com propósito e intenção. Todos os recursos serão necessários e devemos usar as redes que deixaram exemplos de sucesso no confronto desigual desta pandemia. As respostas da rede informal e solidária à crise social fizeram toda a diferença" nesta pandemia, especialmente tendo em conta que o impacto da crise económica ainda é desconhecido.

A vida marca a dose de resiliência que conseguimos armazenar, a capacidade de combater as dificuldades e a competência para aprender sempre. Uns estão mais preparados do que outros e os idosos, para quem a atual crise não é a primeira têm-me dado exemplos ímpares de competência, lucidez e vida.

Será bom olhar para os jovens e perceber o impacto que esta crise tem na sua vida e por consequência no futuro de nós todos. Na família, na escola, na saúde (sobretudo na saúde mental), no acesso ao mercado de emprego ou na sua situação profissional, na relação social e afetiva, na fé no futuro e na convicção da necessidade da sua participação, esta crise terá deixado marcas fundas de que é preciso cuidar.

O nosso empenho tem de ser no combate ao avolumar do fosso das desigualdades, na erradicação da pobreza infantil e da pobreza extrema e no

apoio aos jovens que devem participar em todo o processo do seu (e nosso) futuro

É importante escutar as pessoas, as organizações e as cidades. É importante conhecer as forças e fragilidades na proximidade. Temos todos de agir militantemente. Mais uma vez importa "esperançar"

Grata ao espaço emprestado pela TSF nestes domingos. Grata pelos muitos alertas, conselhos e sugestões que recebi.

Em meu nome e da Caritas Portuguesa desejo a todos um Verão fortalecedor, um Outono de esperança robustecida e um domingo muito feliz

Até já

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