Danse macabre

Trump é presidente dos EUA desde 2016. Bateu Hillary Clinton mas não no voto popular. Registou aliás a maior "derrota" de sempre de um Presidente eleito, já que "perdeu" por cerca de 2,8 milhões de votos nas urnas. A sua tomada de posse deve-se apenas ao sistema eleitoral da maior democracia do mundo que distingue entre grandes eleitores e pequenos eleitores. Todos os eleitores são iguais mas uns são mais iguais que outros.

No Brasil, Jair Bolsonaro ganhou. Houve eleições gerais, sim senhor. Foram, aliás, feitas à medida dele. Primeiro, o impeachment forçado de Dilma, castigada não por qualquer ilegalidade, mas pelo "estado económico da nação".A Presidenta eleita foi afastada por "erros de governação". Se a moda pegasse, seria o caos mundial. Quando Lula da Silva, o ex-Presidente se recandidata e toma a dianteira nas intenções de voto, é julgado e preso pelo actual Ministro da Justiça do Brasil, Sérgio Moro, que, sem autos ou provas concretas, não só o condena a 9 anos e meio de prisão, como retira o favorito da corrida. Sabotado o processo democrático, Bolsonaro, alvo de atentado, impõe a sua agenda à maioria dos Brasileiros que o elegem, sem pestanejar, para o cargo máximo da Democracia Brasileira.

Finalmente, numa das mais sólidas democracias do Mundo, a Inglesa, Boris Johnson, chega ao poder por decreto interno. Não pelo tão aclamado sufrágio, mas através de eleições do Partido Conservador, que assim "elege" o seu terceiro PM sem consulta popular.

Em Portugal, criou-se a gerigonça, porque, apesar de tudo, os Portugueses que votaram em 2015 preferiram a coligação PSD/CDS. À falta de consenso parlamentar, escolheu-se quem melhor se mexeu e fez-se Governo na secretaria. Mais uma encomenda pós-eleitoral que muito provavelmente desrespeitou o sentido de voto original dos eleitores.

Vamos tentar tirar da cabeça dos resultados e das consequências que estas governações tiveram para os seus países e pensemos somente no processo que os levou ao poder. Essa reflexão permitirá chegarmos a conclusões como o alcance limitado do voto e o facto de a sua escolha não ser definitiva. Na prática, como se vê, o voto popular não é soberano, entregando-se a escolha final a uma "elite", que tem a última palavra no processo democrático. Está instalada uma mentalidade corporativista e não democrática, que tem escolhido os representantes máximos em países que definem a ordem mundial.

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