Legislativas: liberdade, com estabilidade

O Presidente da República disse, ontem, considerar "um absurdo" falar-se da exigência de um acordo escrito aos partidos ainda antes das eleições antecipadas de 30 de janeiro, considerando que essa "não é uma regra" da democracia portuguesa.

O chefe de Estado pronunciou-se, pela primeira vez, sobre as notícias de que iria exigir um acordo escrito aos partidos de forma a garantir a governabilidade após as legislativas antecipadas, tal como o seu antecessor, Aníbal Cavaco Silva, fez em 2015 ao PS, BE, PCP e PEV, depois de a coligação PSD-CDS ter vencido as eleições sem maioria absoluta.

Não querendo condicionar, frisou que "o povo é livre de escolher" e além disso "representaria uma mudança da orientação do Presidente da República relativamente ao passado". Marcelo Rebelo de Sousa considerou, assim, não fazer qualquer sentido, "o Presidente estar a pronunciar-se sobre aquilo que ele deve escolher e em que termos deve escolher".

Com ou sem acordos escritos, os portugueses clamam por transparência e clareza na corrida dos partidos políticos às eleições legislativas. Muitos estão cansados da geringonça e deixaram de acreditar numa maioria de esquerda.

Descrentes quanto ao modelo em que assentou a governabilidade dos últimos seis anos, são vários os que não querem voltar a olhar para uma equação que inclua a extrema-esquerda, mas também não pretendem dar carta-branca à extrema-direita, porque o povo está bem ciente dos riscos dos extremismos e "tribalismos", expressão de Pacheco Pereira, no programa Circulatura do Quadrado, da TSF.

Os cidadãos querem e merecem clareza de posições. Os partidos deveriam, no curto prazo, esclarecer ao que vão e com quem vão para as legislativas de 30 de janeiro.

Faltam só dois meses e meio até à ida às urnas, não há tempo a perder. Ainda para mais, se PS e PSD reúnem, regra geral, entre 60% e 70% dos votos nacionais, serão eles os responsáveis por assegurar um futuro de estabilidade em Portugal. E o povo vai cobrar por isso.

Mudando de assunto, uma nota final para felicitar Angola que a 11 de novembro completou mais um ano como país soberano. Se a estas décadas de vida descontarmos a sangrenta guerra civil, podemos concluir que se trata de um Estado ainda jovem, com uma vida inteira pela frente. Que o país possa afirmar-se como a grande potência regional que é e que os povos angolano e português possam seguir um rumo digno de verdadeiros irmãos históricos.

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