Mães de Maio

Durante a ditadura da junta militar argentina no século passado, foram milhares os homens e mulheres que foram presos naquela que se designou por "operação condor". Foram milhares os que foram levados das suas mães e pais.

Desapareceram.

Todos os que pensassem diferente da ditadura vigente que governava à força, eram levados. De entre os desaparecidos a pessoa mais nova foi um bebé que tinha apenas 20 dias quando foi raptado com a sua mãe, em julho de 1976. A mãe voltou a aparecer, mas perdeu, antes da liberdade, o rasto do seu filho recém-nascido. A pessoa mais velha foi um ancião de 81 anos de idade, segundo uma lista publicada pela Amnistia Internacional em 79.

Que medos provocariam estas pessoas aos ditadores e senhores do mundo? Que terror este o de existir, o de pensar? O de ter consciência?

As mães dos desaparecidos começaram a juntar-se e sentavam-se todas as semanas na Praça de Maio, que fica em frente à Casa Rosada, o palácio presidencial em Buenos Aires.

Numa presença silenciosa, mas ensurdecedora no bater dos corações dos filhos desaparecidos, exigiam que lhes dessem notícia do seu paradeiro, exigiam, muitas vezes com esperança que eles reaparecessem.

Quando foi decretado o estado de emergência, passaram a ser expulsas da praça e reencontraram-se de novo em peregrinação ao santuário da Virgem de Lujan a cada 8 de maio de cada ano. Aí, a cerca de 75 kms da Praça de Maio, usavam as fraldas de tecido dos seus filhos atadas à cabeça como lenços para se reconhecerem. Juntas de novo, partilhavam as suas histórias de luto, dor e perda.

Anos mais tarde, voltaram à praça em frente ao palácio. Agora já não sentadas, mas a caminhar em círculos, numa marcha de resistência contínua.

As mães de maio são hoje as mulheres em todo o mundo que procuram dos seus filhos desaparecidos, assassinados por quem com medo se sentia incomodado com as suas vozes e o seu pensamento.

Chile, Colômbia, Nicarágua, Cuba, México, Irão, sem esquecer as mães de sábado que se reuniam todas as semanas na praça Galatasaray em Istambul na Turquia. Erdogan primeiro-ministro recebeu-as e apoiou-as. Erdogan presidente mandou-as prender no sábado em que completaram 700 vigílias.

Também na Ucrânia, na Rússia, tantos os sítios, as ditaduras, guerras surdas.

Quantas mães de quantos jovens soldados não verão mais os seus filhos por quem choram?

A vós senhores da guerra, economistas do armamento, olhai para os olhos estas mães de maio, olhai para os olhos das vossas próprias mães.

Envergonhem-se dos tiros e das bombas. Recolham as balas e os mísseis, as ideias nucleares que nos destruirão a todos.

E neste pedido ingénuo, façam a paz antes que já não haja filhos, antes que já não haja mães.

Midnight, our sons and daughters

Cut down, taken from us

Hear their heartbeat

We hear their heartbeat

In the wind we hear their laughter

In the rain we see their tears

Hear their heartbeat

We hear their heartbeat

Night hangs like a prisoner

Stretched over black and blue

Hear their heartbeat

We hear their heartbeat

In the trees our sons stand naked

Through the walls our daughters cry

See their tears in the rainfall

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