Mas quem quer saber de "D" se o osso duro de roer é o "T"?

- C convence A a reatar as relações com B.

- Se B suspender em definitivo a anexação de territórios de D.

- B diz que suspende mas diz também que não desiste porque entende que tais territórios são de B e não de D.

- A e B fazem na mesma a festa do acordo abençoado por C porque isso irrita T.

- D protesta.

- Mas quem quer saber de D? O que conta é T.

Guia para compreensão rápida: A - Monarquias sunitas do Médio Oriente; B - Israel; C- Estados Unidos; D - Palestinianos; T - Teerão.

Há vários anos que Israel, ainda antes do governo de coligação Netayahu-Gantz, vem ensaiando aproximações às monarquias sunitas do Golfo. O objetivo é só um: isolar a potência regional xiita, isto é, a República Islâmica do Irão...

Isso é agora formalizado com os Emirados, vai acontecer em breve com o Barhein e pode acontecer nas próximas semanas - seria sem dúvida uma cartada diplomática forte para Donald Trump se acontecer antes das eleições - um acordo semelhante entre o estado judaico e a grande potência sunita do Médio Oriente, a Arábia Saudita. Não terá sido por acaso a Arábia Saudita como primeiro país visitado quando tomou posse e o segundo, Israel.

A estabilidade regional passava, para Barack Obama, por negociar com o Irão, para Trump é dar poder aos outros para travar o Irão.

Agora, como tem sido lembrado por algumas diplomacias, isto só tem viabilidade prática se vier a significar, em definitivo, a suspensão da anexação de territórios palestinianos (Bibi Netanyahu diz que fica adiada mas que não desiste) e o regresso de ambas as partes do conflito israelo-árabe à mesa negocial, ainda que seja verdade que hoje em dia o Médio Oriente é mais complexo politicamente pelo conflito entre xiitas e sunitas, se quisermos entre Riade e Teerão, do que propriamente pela violenta ocupação dos territórios palestinianos e pela violência do Hamas ou de outros grupos palestinianos.

Com o restabelecimento das relações diplomática entre Israel e os dois estados árabes, os palestinianos voltam a sair à rua, consideram os acordos vergonhosos, dizem que "é uma punhalada nas costas da causa palestiniana e do povo palestino", palavras de Ahmad Majdalani, ministro dos Assuntos Sociais da Autoridade da Palestina.

O Hamas, que controla a faixa de Gaza, diz que o acordo é uma "agressão", que causa "graves danos" à causa palestiniana. Como se a divisão entre palestinianos já não bastasse.

Concluindo, este acordo é um objetivo fundamental da estratégia regional do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para conter as aspirações do Irão, que Washington considera ser uma ameaça para a paz na região.

Israel quebra o quase total isolamento regional, há um par de anos só mantinha relações com o Egito e Jordânia; em ambos os casos houve envolvimento dos líderes americanos, primeiro Jimmy Carter depois Clinton.

Verdade que com uma fatura cujos custos só o futuro dirá, Trump vem agora deixar o seu nome na história dos sucessos negociais da região (e não deixa também de ser um argumento de distração em relação à situação interna na América em tempo eleitoral e quando está a vários pontos de distância de Joe Biden nas sondagens) e mostra de novo o incondicional apoio dos EUA a Israel.

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