Memória, Gerações e as Forças Armadas

Hoje, dia 11 de novembro, e mais concretamente às 11h (daqui a pouco) assinalamos o armistício da Primeira Guerra Mundial em 1918. O fim dos combates, que começaram no verão de 1914, significou um respirar de alívio para toda uma geração de europeus que se despediu sem quaisquer saudades daquelas trincheiras. As trincheiras são, aliás, uma das imagens mais impressionantes do conflito que se passou a denominar a Grande Guerra.

Um outro símbolo é a Papoila e o "seu" Dia da Memória, ou seja, o dia de hoje e, em especial, em terras anglo-saxónicas. Através de um conjunto de cerimónias são relembrados todos os combatentes, todos os heróis, todos aqueles que se sacrificaram pelo seu país. E porquê a papoila? A resposta está num poema do canadiano John McCrae, médico militar, intitulado "Nos Campos da Flandres" e escrito em 1915. O poema, tão simples e que vai direto ao coração, começa assim: "Nos campos da Flandres as papoilas ao vento por entre as filas e filas de cruzes assinalam as nossas campas."

A homenagem a este dia da Memória e da Lembrança é feita através de pequenos e grandes gestos. Um dos que tem certamente mais impacto a nível internacional é o da Premier League, ou seja, a Liga Inglesa de futebol. Para além da habitual papoila em todos os equipamentos assistimos no último fim de semana a um tributo especial que está acima de todas as rivalidades, mesmo aquela que que caracteriza o derby da cidade de Manchester, ou seja, entre o United e o City. Entre outros gestos, gostaria de destacar este: antes do jogo os treinadores, o catalão Guardiola e o norueguês Solskjær depositaram as suas coroas de flores.

Uma guerra é sempre, sempre terrível, mas por vezes necessária e crucial. Olhando para Adolf Hitler e a sua Alemanha nazi, para o horror humano e humanitário da Segunda Guerra Mundial não podemos ter dúvidas ou hesitações sobre a justeza do combate dos Aliados. Não é o mesmo, evidentemente, que considerar todas as opções, táticas e operações dos Aliados como tendo sido corretas. Nem por sombras.

O exercício de memória entre gerações e a sua relação com o papel essencial das Forças Armadas é dos mais importantes quando pensamos nas sociedades europeias de hoje, incluindo a portuguesa.

Após o Holocausto e o "abismo europeu" (para usar a expressão do historiador Ian Kershaw) foi possível fazer diferente. O projeto europeu que hoje tanto molda as nossas vidas é pensado, criado e consolidado tendo a tragédia da Segunda Guerra Mundial como pano de fundo e, após 1949, o chamado "chapéu-de-chuva nuclear" dos EUA. Da mesma forma que a desagregação da União Soviética permitiu à outra metade da Europa sentir e viver a e em liberdade. Aliás, na terça-feira, dia 9 de novembro, comemorámos a Queda do Muro de Berlim em 1989.

Voltando ao poema de John McCrae: "se quebrares os laços connosco, aqueles que morrem, nós não teremos descanso, mesmo que as papoilas cresçam nos campos da Flandres."

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