Não complicar agora o que vem depois

O primeiro ciclo do campeonato encerra agora. Chega a primeira pausa que, por outro lado, coincide com o fecho do mercado, o momento em que acaba a dor de cabeça dos treinadores sobre a eterna questão do quem entra e quem sai. A partir daqui, como muitos defendem, começa "outra" prova, aquela em que já não há estas perturbações laterais. Sendo assim, o mais aconselhável é aproveitar esta ronda para não complicar o que vem depois.

1 - Sporting e Benfica têm razões para estar satisfeitos com o andamento das coisas, pois são os únicos que conseguiram o pleno. Mas mesmo o FC Porto, ligeiramente mais atrás devido ao empate na Madeira, nada comprometeu naquilo que é o alvo a longo prazo. Portanto, se o cenário for semelhante na altura da interrupção da Liga portuguesa, permanece tudo em aberto quanto à corrida pelo título.

Dragões e leões começam em palcos distintos - o FC Porto recebe o Arouca, o Sporting vai a Famalicão - enquanto o Benfica volta à Luz para defrontar o Tondela. E ainda há um dérbi minhoto, Braga - Vitória, para completar uma agenda muito interessante, sobretudo em função daquilo que vem detrás.

O Sporting tem aqui a última jornada antes do início do "carrossel" europeu, algo com que não teve de lidar na temporada passada. Que soube aproveitar da melhor forma aquele quadro na época anterior é uma evidência, pelo que, agora, surge este desafio suplementar à sagacidade de Ruben Amorim.

Portanto, sempre na lógica de amealhar o que não pode ser desperdiçado, esta deslocação ao terreno de uma equipa que ainda nem sequer pontuou pode parecer uma ótima oportunidade para fechar este primeiro andamento da forma ideal. Com o Sporting no seu normal, certamente. E é apenas isso que se espera da equipa leonina.

O outro colíder, o Benfica, tem aqui a possibilidade de terminar incólume um mês de agosto em que tinha demasiado em jogo. A verdade é que, com coesão, resistência e capacidade de sofrimento à mistura, saiu de Eindhoven com o passaporte para a Champions, o tal "título financeiro" imprescindível, depois do falhanço de há um ano.

Cumprido o verdadeiro objetivo deste início de época, Jorge Jesus "só" precisa de ganhar ao Tondela para demonstrar que a sua opção de fundo - prioridade ao acesso à Liga dos Campeões - não era incompatível com a cadência vitoriosa cá dentro. Tem plantel para gerir conforme as conveniências - ou necessidades -, pelo que, mesmo voltando a mexer no onze, seria estragar o plano precisamente na última etapa caso não somasse os três pontos.

Depois há o caso do FC Porto. Correu mal frente ao Marítimo, mas não dá para resumir tudo a um relvado que realmente é péssimo. O fantasma que vinha da jornada anterior reapareceu - a segunda parte voltou a ser muito diferente da primeira - e os primeiros dois pontos ficaram pelo caminho. Nada de alarmante, já o disse, mas o aviso ficou lá.

Implica isto que o Arouca pode ser o adversário perante o qual os dragões retomem a trilha que não queriam abandonar. Sérgio Conceição está à beira de ter o plantel fechado, embora as interrogações não desapareçam até ao final do mês. Falo, sobretudo, das potenciais saídas, como é óbvio. Também por isto, o FC Porto precisa de ir para a paragem sem se afastar mais da concorrência. Até porque, entre outras questões, o Sporting está à sua espera quando tudo recomeçar.

2- As equipas portuguesas envolvidas no quadro europeu já sabem aquilo com que podem contar daqui para a frente. E, no caso concreto das que estão na Liga dos Campeões, facilmente chegam à conclusão que a vida será tudo menos simples face aos adversários que lhes saíram na rifa.

Não queria falar de pesadelo (sobretudo para FC Porto e Benfica, embora o Sporting não possa ficar muito tranquilo), mas que vai obrigar a um grau de exigência tremendo, garantidamente vai. Acresce que, desta vez, mesmo um terceiro lugar no grupo pode não garantir a transição para a Liga Europa, o que torna o caminho ainda mais tortuoso.

Juntando o facto de os calendários começarem a apertar até dezembro, a gestão por parte dos treinadores terá de ser ponderada ainda com mais pormenor do que já se previa. É que o grande objetivo é a luta pelo título nacional, independentemente da (legítima) boa imagem que pretendem deixar nos grandes palcos europeus.

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