O desafio de Paulo Rangel

Vamos a datas.

27 de setembro, mais dia menos dia, 24 horas depois das autárquicas. Paulo Rangel decide concorrer a presidente do PSD. As contas não eram simples, mas, apesar da narrativa de vitória saída das eleições locais, havia a chamada vaga de fundo, sub-reptícia, de dirigentes sociais-democratas a clamar por eleições. E por uma nova liderança.

Derrotando Rui Rio, tinha um ano para conduzir a Oposição. O discurso construído foi bastante cristalino. O PSD precisava de alguém forte, combativo, que fosse capaz de confrontar o primeiro-ministro e de agregar o partido, em contraponto com uma liderança tida por alguns setores como sectária em relação ao partido e frouxa com o Governo. A fraca prestação no combate parlamentar servia de infra-estrutura a este posicionamento. Isto é, Paulo Rangel era candidato porque o PSD precisava de uma oposição firme.

27 de outubro, um mês depois, portanto, e a roda volta a girar. Durante esses largos dias, houve de tudo no PSD, com enfoque para o alerta público lançado por Marcelo Rebelo de Sousa e explorado pelo líder do PSD, antevendo uma crise política com origem no chumbo do Orçamento do Estado para evitar eleições internas.

Rio perdeu no primeiro round, mas acertou que havia de facto crise. Chumba o Orçamento. E Rangel vê-se perante um novo dilema: o partido afinal não precisa de um novo líder da Oposição. Precisa de um candidato a primeiro-ministro. E, mais do que os militantes nestas eleições diretas, terá de convencer o eleitorado de que é não só melhor candidato do que Rui Rio, como será um primeiro-ministro mais competente do que António Costa.

O presidente do PSD percebe essa dualidade. E a escolha de não fazer campanha serve dois objetivos. Um posicionamento claro de candidato a primeiro-ministro, enquanto disfarça a aparente falta de apoios com representatividade eleitoral.

A grande dificuldade de Paulo Rangel não parece ser, nesta altura, ganhar o partido, mas sim ter pouco mais de dois meses para conquistar o país, quando há um mês precisava apenas de mostrar que seria melhor líder da Oposição.

A grande dificuldade dos dois é não perderem o país para ganharem o PSD.

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