O jogo do passa culpas 

Para os que tenham dúvida sobre a atual impotência do poder político para resolver o que está acontecer na região de Lisboa, basta começar o dia a ler o jornal Público. Lá estão Fernando Medina e Duarte Cordeiro, até há bem pouco tempo companheiros na governação da capital, desta feita num jogo de passa culpas que nem as falinhas mansas são capazes de disfarçar.

Medina, citado pela entrevista (mais uma) que deu à RTP, salientando que "a situação que hoje enfrentamos precisa de ser atendida com grande sentido de urgência e com grande mobilização de recursos". O autarca de Lisboa volta a queixar-se do pouco que as autoridades de saúde estão a fazer e critica a interrupção da realização de inquéritos epidemiológicos ao fim de semana". Fernando Medina tem razão, não é suposto o vírus "descansar aos fins de semana!".

No online, as notícias estão próximas, na edição impressa é preciso recuar oito páginas, a partir da coluna onde está a queixa repetida do autarca, para encontrar uma entrevista em página dupla ao secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, responsável governamental pelo combate à pandemia na região de Lisboa. Lá está a resposta pronta sobre o problema dos transportes públicos, para apontar o dedo à gestão da Área Metropolitana de Lisboa, que é presidida por Medina. Duarte Cordeiro tem razão, era suposto que houvesse melhor gestão no transporte dos trabalhadores que vivem na periferia e trabalham na capital.

Andamos nisto há vários dias, com o poder político, que há bem pouco tempo entendia não haver problema e que o aumento de novos casos correspondia ao aumento de testes, a reconhecer que há um problema sério, mas a gastar energias num jogo de passa culpas que não apressa as soluções que é preciso encontrar.

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