O que ajuda é ter estratégia e falar verdade

Não ajuda dizer, num dia, que não haverá confinamento em Felgueiras, Lousada e Paços Ferreira e decretar, no dia seguinte, o dever de confinamento nestes três concelhos. Não ajuda dizer, numa semana, que "é inimaginável" repetir no Natal as medidas "drásticas" adotadas na Páscoa e decretar, na semana seguinte, essas mesmas medidas para o fim de semana dos Finados. Não ajuda avançar com a obrigatoriedade do uso da aplicação StayAway Covid e acabar a sair de esguelha, sem sequer ter avançado rapidamente para a obrigatoriedade que todos querem, a do uso da máscara em espaços públicos, fechados ou ao ar livre. Não ajuda repetir a toda a hora que o Serviço Nacional de Saúde tem todas as condições de combater a pandemia, quando se repete o semi-abandono dos doentes não Covid da primeira vaga.

É consensual, e não é sequer tema exclusivo de Portugal, que é preciso evitar o confinamento geral que nos impusemos a nós próprios em março, porque a crise económica também mata e, sobretudo, deixa sequelas profundas para o futuro das gerações mais novas. Mas não chega decidir que se adia o estado de emergência até ao dia mais longe possível, é preciso ter uma estratégia para fazer esse caminho. O que assusta é que o mesmo Governo que foi elogiado na primeira vaga por ter tido uma estratégia que nos afastou da trajetória percorrida por Itália e Espanha, esteja agora a dar a sensação de andar à deriva, sem saber o que faz e o que diz.

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