Sudeste Asiático, Beijing e Washington

Os holofotes internacionais têm estado centrados em várias questões: no fim das negociações na Alemanha com vista a uma coligação governativa entre os Liberais, os Verdes e o SPD; na convocatória dos Estados Unidos da América para uma cimeira virtual entre e sobre Democracias e que inclui Taiwan; e na articulação de esforços para ter informações sérias e credíveis sobre a tenista chinesa Peng Shuai e sobre o impacto bem fundo da violência exercida sobre as mulheres chinesas; no fim, acabei por optar pela recente Cimeira da ASEAN com a China.

Desde logo, há um factor a destacar. O Secretário-Geral do Partido Comunista e Presidente da República Popular da China Xi Jinping mantém o seu registo de não sair do território desde que a pandemia começou.

ASEAN é a sigla inglesa de uma organização que tem desafiado o tempo e, de certa forma, as mudanças sistémicas na política internacional. É uma organização do Sudeste Asiático e os seus estados-membros vão desde Singapura, ao Vietname e passando pela Indonésia ou pelas Filipinas.

Muitas vezes quando pensamos na rivalidade de hoje e que irá continuar a marcar o século XXI, nomeadamente, entre a República Popular da China e os Estados Unidos da América, temos em conta os dilemas de vários países europeus e da própria União Europeia, dos países africanos ou da América Latina. Ainda recentemente a antiga Presidente do Brasil Dilma Rousseff referiu-se à China nestes termos: «A China representa uma luz nessa situação de absoluta decadência e escuridão que é atravessada pelas sociedades ocidentais.» Sim, é mesmo verdade, foram estas as palavras usadas.

Voltando à China e aos EUA raramente nos lembramos dos países do Sudeste Asiático que estão no epicentro da rivalidade entre a China, vizinha próxima e muito, muito presente, e os EUA, um contrapeso militar, económico e diplomático e, em alguns casos, mesmo um aliado.

Olhando para a composição dos estados-membros da ASEAN e a sua relação com a China temos países com uma tradição de política externa bem próxima tais como o Camboja e outros que têm tentado ter uma relação o mais distante possível tais como o Vietname. Temos também muitas zonas cinzentas e outros países como a Índia que têm vindo a reavivar o seu peso nesta região.

Por vezes, temos que sair do contexto europeu e, de certa forma, deixar de olhar apenas para o nosso umbigo e aprender com outros países cuja política externa se vai fazendo em areias bem mais movediças.

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