Trump vs. Biden: o último debate

A cidade de Nashville no estado do Tennessee será hoje à noite palco do último debate entre os candidatos à Casa Branca. Há, desde logo, dois pontos que valem a pena ser assinalados. O primeiro está relacionado com o facto de ser o segundo (e não o habitual terceiro) debate. Muitas peripécias depois a decisão de um debate virtual não foi acolhida pelo actual Presidente e o debate de dia 15 acabou por cair. E, em segundo lugar, para evitar a balbúrdia, o caos e a confusão do primeiro «debate» a moderadora poderá desligar o microfone do «outro» candidato nas intervenções iniciais relativas aos seis grandes temas.

É um sinal triste dos tempos em que vivemos que seja necessário desligar o microfone de um candidato a Presidente dos EUA, mas Donald Trump não é conservador. Para o actual Presidente as tradições e a civilidade não são um valor em si mesmo.

Os temas do debate são diversificados e vão desde as alterações climáticas à segurança nacional, passando pelo racismo, luta contra a pandemia e as famílias. Mas é o tema sobre liderança, que me parece ir ao cerne desta eleição. Os dois candidatos irão falar para os seus eleitorados e tentarão captar os ainda indecisos em particular nos estados da Pensilvânia, Florida, Carolina do Norte, Arizona, Michigan e Wisconsin. Mais relevante do que os números a nível nacional serão as sondagens após o debate nestes estados importantes («swing states») para a eleição presidencial.

Quais são as expectativas face ao desempenho dos candidatos? Eu diria que a tarefa mais difícil será a de Trump. Desde logo, pela dificuldade de se comportar de modo democrático e aceitar o «controlo» do microfone pela moderadora. E, depois, se quer apelar aos indecisos terá que demonstrar que a sua liderança é mais do meramente transacional. Esta palavra tem sido amplamente utilizada para descrever a sua forma de entender o papel do Chefe do Estado. E é melhor traduzida na expressão «o que é que eu ganho com isso?» Para captar os indecisos Donald Trump terá que explicar qual é a sua visão para os EUA.

Do lado Democrata, a tarefa de Joe Biden será a de não cometer erros e de não sucumbir à tentação de responder às provocações do seu opositor republicano. Não será fácil, mas será certamente a táctica para a vitória neste debate. Aliás, no debate entre Kamala Harris e Mike Pence alguns dos temas tais como as alterações climáticas ou o combate à pandemia foram objecto de discussão. A candidata democrata a vice-presidente teve uma boa prestação e ajudou a cimentar o chamado «ticket».

Por tudo isto, o debate de logo à noite é importante e vale a pena ser seguido. Só nos resta esperar que Kristen Welker, a moderadora, tenha sucesso no seu papel e que o debate seja genuinamente esclarecedor.

*A autora não segue o acordo ortográfico de 1990

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