Vacinar ou não as crianças

A recomendação de vacinar jovens dos 12 aos 17 anos é uma das mais importantes que a Direção-Geral de Saúde (DGS) terá de tomar. E é-o porque há mais dúvidas do que certezas e faltam consensos científicos e políticos essenciais para que a incerteza e a insegurança não se instalem nas famílias no momento de decidirem.

O que dizem os peritos? A Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19, onde não há unanimidade, aponta para uma priorização do grupo etário entre os 16 e os 18 anos. Mas é mais cautelosa quando se trata de crianças entre os 12 e os 15 anos, defendendo a vacinação apenas nas que têm doenças de risco. As divergências não são menores no seio do grupo de trabalho criado pela DGS justamente para avaliar o que fazer nestas faixas etárias. E os receios que desequilibram a balança dos riscos e dos benefícios estendem-se a muitos pediatras.

A síntese a favor e contra é fácil de fazer. Mas só isso. Se há especialistas que, por um lado, defendem que as vacinas entre os mais novos diminuem o risco de contágio entre os mais velhos, além de evitar que sirvam de bolsas para a difusão de novas variantes, há outros que entendem, sobretudo, que "não é eticamente aceitável" vacinar crianças e jovens saudáveis para proteger os de mais idade.

E restam as perguntas. Na verdade, porque é que os especialistas estão efetivamente divididos? Ainda não se sabe o suficiente, apesar de haver países a avançar nas faixas etárias mais novas? E, já agora, há conhecimento para vacinar oito milhões de portugueses, deixando de fora 1,8 milhões?

A certeza é a de que nesta altura não temos mais nenhuma rede que não a vacina. Mas ou as recomendações científicas são claras e a decisão política é inequívoca ou corremos o risco de acentuar as dúvidas entre os pais. E esse é um erro inadmissível.

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