Vieira pesca de arrastão

Daniel Oliveira defende que quando António Costa e Fernando Medina decidiram aceitar o convite para integrar a comissão de honra de Luís Filipe Vieira "fizeram uma espécie de bingo da promiscuidade", misturando justiça, política e futebol.

No espaço de opinião que ocupa na TSF à terça-feira, Daniel Oliveira considera que, sendo "detentores de cargos públicos", o primeiro-ministro e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa "não se devem imiscuir na vida interna de clubes com os quais o estado central e o estado local têm relações".

Para o comentador, não é por António Costa ser sócio do Sport Lisboa e Benfica que deixa de ser primeiro-ministro nesses momentos.

O jornalista sublinha que há ainda uma agravante neste caso: "além de Luís Filipe Vieira ter responsabilidades no buraco do BES - que é o Estado que está a cobrir - é arguido num gravíssimo caso que envolve dois magistrados".

Na perspetiva de Daniel Oliveira, ao aceitar o convite de Luís Filipe Vieira, António Costa está a atestar a sua inocência. "[Costa] não aceitaria participar na comissão de honra de alguém que ele considerasse um criminoso, o que significa que empenha o seu nome e o nome de todo o Governo no desfecho deste processo", sustenta.

Daniel Oliveira realça que "Luís Filipe Vieira até este processo chegar ao fim é inocente, como era inocente José Sócrates, e António Costa não deixou de se afastar dele com cautela".

Para o cronista isto acontece porque António Costa "achava que José Sócrates era um ativo tóxico e não quis arriscar".

Já em relação a Luís Filipe Vieira a postura do primeiro-ministro e do autarca de Lisboa é diferente, porque, de acordo com o jornalista, "António Costa e Fernando Medina acham que o futebol rende votos e, portanto, não acham que Luís Filipe Vieira é um ativo tóxico".

Daniel Oliveira considera que os dois políticos "estão enganados" e prova disso é Rui Rio que "mostrou, no Porto, que se pode vencer combatendo a promiscuidade entre o futebol e a política".

O comentador considera que poucos partidos podem tirar proveito desta situação, a começar por Rui Rio que "poderia ganhar muito com esta história, não fosse Duarte Pacheco, deputado do grupo parlamentar do PSD, também fazer parte da comissão de honra".

E os exemplos continuam: "Claro que André Ventura não poderia ganhar grande coisa com isto. Luís Filipe Vieira foi seu criador e nunca a criatura criticaria o criador. O PCP também, infelizmente, não pode ganhar muito com isto, porque até levou Luís Filipe Vieira ao jantar de encerramento de campanha. O CDS também não pode ganhar muito com isto, porque tem o líder parlamentar, Telmo Correia, na comissão de honra".

Por isso, defende, "só mesmo o Bloco de Esquerda, o PAN e a Iniciativa Liberal, em todo aquele parlamento, escapam a esta autêntica pesca por arrastão que Luís Filipe Vieira faz no poder político".

Daniel Oliveira considera "normal que quem esteja aflito tente fazer esta pesca de arrastão, tentando arranjar uma comissão de testemunhas abonatórias nestas eleições", mas lamenta "que os políticos não tenham percebido que as coisas mudaram e este tipo de "nacional porreirismo" já não tem espaço na sociedade portuguesa".

Questionado sobre se António Costa ainda pode voltar atrás, Daniel Oliveira é perentório: "Não, já fez a asneira que fez, agora tem de fazer figas para que Luís Filipe Vieira seja inocente."

"Se Luís Filipe Vieira vier a ser condenado, António Costa deverá ser chamado à pedra como alguém que empenhou o seu nome num processo judicial em curso", remata.

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