"Desrespeito". Hugo Soares acusa Rio de querer evitar participação no Conselho Nacional

O ex-líder da bancada do PSD e apoiante de Luís Montenegro não se conforma com a hora a que foi marcada a reunião magna, entre congressos. Em entrevista à TSF, Hugo Soares acusa Rui Rio de querer impedir os militantes de votarem a moção de confiança.

Quinta-feira, 17 de janeiro, 17 horas, num hotel do Porto. Foi este o dia, o local e a hora, definidos pela direção do PSD para o Conselho Nacional que vai votar a moção de confiança pedida pelo próprio Rui Rio. E eis que, à polémica já existente dentro do partido, se acrescentou mais um fator de discussão entre os dois lados desta guerra interna.

Os apoiantes de Luís Montenegro não gostaram do calendário definido por Rui Rio e falam numa coisa inaudita. Uma das vozes da revolta é a de Hugo Soares que fala num "total desrespeito pelos deputados eleitos pelo povo português na Assembleia da República." Em entrevista à TSF, o ex-líder da bancada do PSD - e apoiante, desde a primeira hora, de Luís Montenegro - lembra que, além dos deputados do PSD, o Conselho Nacional tem "dirigentes do partido distritais e concelhios, que são membros inerentes no Conselho Nacional" e que "com a escolha desta hora o Dr. Rui Rio impossibilita-os de participar num Conselho Nacional que é decisivo para o PSD dos próximos anos."

A conclusão, para Hugo Soares, é só uma: Rui Rio que "evitar uma participação efetiva dos militantes nesta decisão."

Para que toda a gente possa falar

A resposta às críticas dos apoiantes de Luís Montenegro chegaram, entretanto, pela voz do presidente da mesa do Conselho Nacional. À TSF, Paulo Mota Pinto explica que "a hora marcada é a das 17h00 porque vai permitir que o maior número de pessoas presentes no Conselho fale com o menor número de restrições temporais possíveis."

Lembrando que ainda não recebeu qualquer pedido de alteração de horário, Mota Pinto acrescenta que "são 132 membros do Conselho, mais outros tantos participantes" e que "se metade - ou até menos - falar cinco minutos, como é comum, rapidamente se atingem as seis ou sete horas de intervenções." É por isso, explica o presidente da mesa, que "este Conselho Nacional não poderia ser à noite, para não ter votações e discussões às tantas, às 4h00 ou 5h00 da manhã."

Voto secreto? "Evidentemente"

Não é apenas a hora do Conselho Nacional que está a dar que falar. A forma como os conselheiros vão votar, também está a ser alvo de discussão. Os conselheiros podem votar de braço no ar - como é comum - ou através de voto secreto, como defendem, neste caso, os apoiantes de Luís Montenegro.

Na mesma entrevista à TSF, Hugo Soares garante que nem coloca "essa questão." O ex-líder da bancada do PSD lembra que "não pode ser de outra maneira" até porque, defende, "as pessoas têm que ser livres de expressarem, pelo voto, de uma forma transparente, democrática e, evidentemente, confidencial, aquilo que entendem sobre a direção do partido." Só assim, diz o apoiante de Luís Montenegro, "se evitam as pressões, as lógicas maniqueístas e só assim é possível que o Conselho Nacional se possa pronunciar em liberdade total."

Leia aqui, na íntegra, a entrevista de Hugo Soares à TSF: "Rio não tem que fazer de mim um Cristo da política. Sairei pelo meu próprio pé"

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