"Antes de tudo, a liberdade." O que junta Aldina Duarte e Maria do Rosário Pedreira?

A fadista e a poetisa abriram a Ronda de conversas em Leiria. Na livraria Arquivo, a cumplicidade entre as duas ampliou a voz do festival que semeia a liberdade com os ventos da poesia.

Trabalham juntas desde 2007, e até se aventuraram num romance(s). O disco duplo em que Maria do Rosário Pedreira escreveu todas as letras cantadas por Aldina Duarte. Cada uma tem a sua pele, mas sabem ler, estar e sentir a pele da outra. "Com a liberdade de dizer não." Na quarta edição do Ronda Poetry Festival, as duas aceitaram o desafio de inaugurar o marcador da conversa, com a poesia que é tão delas. Maria do Rosário Pedreira acaba de publicar "O meu corpo humano" e Aldina Duarte lançou o novo álbum em que "Tudo Recomeça".

"O limite é quando deixa de ser verdade. Quando o que a Rosário escreve para eu cantar, passa a não ser verdade no meu canto, ou quando eu canto duma maneira que está a adulterar uma coisa que ela escreveu." E isto é tão natural para Aldina Duarte, quanto o é para Maria do Rosário Pedreira. "Enquanto letrista dou sempre a liberdade a quem canta de me dizer não."

Falam entre sorrisos, acenos, com uma alegria contagiante. Respeitam-se, admiram-se, continuam a crescer juntas: "A nossa poesia já tem uma música. Vemos aquela letra que fazemos com uma melodia na nossa cabeça, e às vezes quando o artista canta, tem paragens e alterações em relação ao que criámos. A Aldina diz-me muitas vezes para cantar eu, mesmo sem voz nenhuma, para ver se é interessante ela fazer." A fadista prolonga o verso:

"Eu já gostava muito da poesia da Maria do Rosário, antes de a conhecer. Gostava de trabalhar com uma mulher que escreve assim. Até quando não gostamos é bom, porque eu fico a perceber outras coisas."

E a poucos dias de se celebrar Abril, a data também se juntou à conversa: "Não poderíamos, de certeza, ser eu poetisa e a Aldina fadista, se não tivesse acontecido esse rasgão no tempo", reforça Maria do Rosário Pedreira, enquanto Aldina Duarte, já de cravo vermelho na mão, exclama: "Para mim, antes do Amor, antes de tudo é liberdade. É a minha palavra de eleição. Venha o que vier."

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