Num carvalho "floresceram sinos" e harpas. Este é um concerto para uma árvore
Dia da Terra

Num carvalho "floresceram sinos" e harpas. Este é um concerto para uma árvore

Um carvalho resgatado de uma limpeza de terrenos é o elemento central do concerto de encerramento do programa preparado pela Fundação Calouste Gulbenkian para celebrar o Dia da Terra. O músico Fernando Mota esticou cordas entre ramos, colocou sinos no lugar das folhas e fez desse carvalho um instrumento musical.

Neste projeto "nenhuma árvore foi magoada", assegura Fernando Mota. Tudo começou quando, em fevereiro de 2020, estava a fazer uma banda sonora para o Teatro de Montemuro e resgatou um carvalho cortado numa limpeza de terrenos na serra.

Aconteceu um mês antes do início dos confinamentos, mas o recolhimento imposto pela pandemia acabou por ajudar. "Na verdade, para mim, a pandemia foi altamente inspiradora, deu espaço para ter o vazio de que há algum tempo precisava. A criação e as ideias vêm do nada."

Foi assim que começou uma pesquisa à volta de objetos sonoros. Nos ramos do pequeno carvalho "floresceram sinos", nasceram cordas "que, no fundo, são harpas" e foram colocados elásticos e microfones de contacto, que captam e amplificam o som da própria madeira. Os microfones "amplificam não o som que está no ar, mas o som da matéria".

Fernando Mota chama-lhe simplesmente "Árvore" e toca-a com as mãos, pauzinhos chineses, arco de violino ou pedras. "Gosto especialmente do carvalho porque tem esta forma sinuosa e não é propriamente uma árvore arrumada e com os galhos todos simétricos", confessa o músico que no estúdio onde trabalha nos mostra um pouco daquilo que é o "Concerto para uma árvore".

O som que sai deste carvalho é surpreendente, é como se Fernando Mota tivesse vários instrumentos num só. Com ele, quer levar o público a revisitar a beleza e a imensidão da natureza. "Concerto para uma árvore", é um concerto "para o mundo inteiro", diz.

"Não é um discurso ecologista ou ambientalista, é um discurso de sobrevivência. Qual é o meu impacto no mundo? Qual é o meu impacto no mundo natural e qual é o meu impacto na humanidade? O concerto tem essa simbologia. Não é verbal, nem explícita, mas é essa a reflexão", revela o músico.

O "Concerto para uma árvore" está marcado para dia 23 de abril e encerra o programa da Fundação Calouste Gulbenkian para celebrar o Dia da Terra, que se assinala a 22 de abril.

Sábado, faça chuva ou faça sol, garantiu à TSF a responsável pelo programa educativo, há uma série de atividades no museu e no jardim Gulbenkian: conversas, oficinas criativas, filmes, contos, música e dança.

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