Porto Piano Fest: tornar a pandemia uma oportunidade

Com a Covid-19, cedo a organização percebeu que o melhor era fazer um festival quase em exclusivo online. O resultado "superou todas as expectativas". Termina este fim de semana. Num ecrã perto de si e, ao vivo, em Vila Nova de Gaia.

"Não havia condições" para fazer de outra forma, é assumido: "a eventualidade de quarentena imposta, restrições de viagens, eventualidade de muitos imprevistos, então decidimos passar para um formato online". Para Nuno marques, o diretor e fundador do festival portuense fabricado a partir de Nova Iorque, o resultado não foi mau, bem pelo contrário: "tem corrido muito bem, superou mesmo as expectativas de toda a gente".

O festival, que arrancou em 2016, pretende "fortalecer o hub cultural do Porto trazendo artistas de várias partes do globo para performances em vários locais históricos por toda a cidade, bem como cultivar o diálogo artístico internacional através da componente educativa com um corpo artístico docente, conferências, masterclasses e alunos do mais alto nível".

Obrigado este ano a ser programado de modo diferente, o Porto Piano Fest 2020 não se limitou a ter concertos, um por dia, mas também uma dezena de gravações diárias exclusivas: "Nós convidámos sessenta pianistas para nos enviarem gravações, para que tocassem uma peça que os representasse e que nos enviassem com uma pequena apresentação sobre a sua escolha e sobre a sua carreira. Assim, temos publicado dez gravações exclusivas por dia", revela Nuno Marques. Das 60 gravações no total, um terço são de pianistas portugueses que participaram no festival. Entre essas gravações, quem assistiu ao festival (portopianofest.com) pôde ouvir o original "Rio Abajo Rio", de Mariel Mays, compositora e pianista norte-americana, vice-diretora do festival, a espanhola do País Pasco Judith Jauregui (35 anos, San Sebatian), a interpretar Mompou ou Leonor Mendes, jovem pianista natural do Fundão, mas atualmente a estudar e viver em Paris, a tocar cinco composições de Edvard Grieg.

Professor numa escola de música em Nova Iorque, Diretor Musical do Stars of American Ballet, Nuno Marques lamenta que - como se não bastasse a pandemia -, a natureza ainda tenha teimado em trocar as voltas à agenda do festival: "houve aqui o furacão Isaías, que atingiu grande parte da costa leste dos EUA, incluindo Long Island, onde está o pianista que ia tocar quinta-feira, com muita queda de árvores, quebra de eletricidade, internet em baixo. O Geoffrey Burleson ficou sem eletricidade em casa e tivemos de passar o concerto dele para domingo".

O encerramento deste sábado no novo quarteirão do vinho, o World of Wine, em Vila Nova de Gaia, com um converto do violoncelista Fernando Costa, é, por conseguinte o encerramento oficial mas não o derradeiro momento desta edição do Porto Piano Fest: "é um concerto ao ar livre, com distanciamento social entre as pessoas, para podermos ter as condições de segurança. E é ao fim da tarde, com o pôr-do-sol e a ponte de D. Luís I, em fundo. Portanto, é o cenário mais bonito do Porto, vai ser um momento especial para fechar oficialmente o festival". Nuno Marques e equipa já preparam o Porto Piano Fest 2021.

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