Águas de março ainda não tiram Algarve de situação preocupante

As chuvas trouxeram algum alívio à agricultura algarvia, mas não chegam para aumentar nível das barragens.

A chuva que tem caído no Algarve nos últimos dias serve apenas, por enquanto, de paliativo. Para mostrar que a situação não melhorou por aí além, o diretor regional de Agricultura faz uma comparação: "Para que perceba a situação, a precipitação média anual no Algarve anda à volta dos 600 milímetros, até agora não passámos dos 280", revela Pedro Valadas Monteiro. "Temos muito ainda por recuperar", lamenta.

No entanto, o responsável pela agricultura considera que esta água é melhor que nada e as culturas que já estavam a sofrer bastante com a seca, podem melhorar. "Isto foi um alívio grande para as pastagens, para os cereais de outono/inverno e para as culturas de sequeiro, como a amendoeira e alfarrobeira", explica.

Também o regadio foi beneficiado pela chuva. Os agricultores que têm pomares poderão deixar de os regar durante duas a três semanas. Mas Pedro Madeira, presidente da FRUSOAL, uma cooperativa de agricultores do sotavento algarvio que produz citrinos, abacates, dióspiros e figos, afirma que ainda não podem respirar de alívio. "Não, isso ainda não, mas que vem ajudar vem", afirma.

Considera, no entanto, que estas chuvas são escassas. "Depende do que vai chegar às barragens, mas isso só se deverá perceber daqui por uns dias", adianta.

O problema é que os solos estavam demasiado secos e a água infiltra-se primeiro nos aquíferos. Não se sabe ainda que quantidade poderá chegar às barragens e essa situação faz toda a diferença, tanto para o consumo humano como para a agricultura.

De acordo com o diretor regional de Agricultura, importantes aquíferos do Algarve no início de março estavam também apenas com 20% da sua capacidade.

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