Construção tem 70 mil trabalhadores em falta. Hotelaria pondera contratar mão de obra na CPLP

A falta de mão de obra já está a ser apontada "como o principal constrangimento" em vários setores. A Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário refere que estão em falta 70 mil trabalhadores. Na hotelaria e na restauração, a solução pode passar por "ir buscar" pessoas à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

A falta de mão de obra atinge, neste momento, vários setores da economia, entre os quais o da hotelaria e da restauração.

Ouvida no Fórum TSF, a presidente executiva da Associação de Hotelaria de Portugal apontou dois caminhos para resolver o problema. Cristina Siza Vieira defende que parte da solução é recrutar trabalhadores estrangeiros, sobretudo nos países africanos de expressão portuguesa, e, ao mesmo tempo, pagar mais por este trabalho.

"Por exemplo, na função de receção, a dificuldade é apontada por 65% dos inquiridos, na contratação de trabalhadores." No caso dos empregados de mesa, essa percentagem sobe para os 66%; na cozinha, a dificuldade fixa-se em 64%, pelo que a responsável garante que "a dificuldade é transversal a quase todos os setores e todo o país".

A presidente executiva da Associação de Hotelaria de Portugal acredita que contratar pessoas oriundas de outros países pode mesmo ser a solução. "Na hotelaria os salários são mais altos do que na restauração, mas têm de subir mais, e isso já está a ser praticado. Ainda assim, a situação de irmos buscar trabalhadores, designadamente da CPLP, até porque foi fechado um acordo com a CPLP que dispensa o sistema de vistos até aqui... Creio que Portugal ainda não retificou este tratado. É, de facto, uma solução."

"Cabo Verde tem neste momento quase 15% de desemprego, tem uma escola de hotelaria e turismo. É natural que Portugal recorra também a trabalhadores da CPLP, com quem Portugal tem uma proximidade maior."

Já no setor da construção civil, faltam 70 mil trabalhadores.

Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário, afirma que "as empresas do setor apontam a falta de mão de obra como o seu principal constrangimento". Trata-se de uma falta de 70 mil trabalhadores, "ou mais", de acordo com as contas do representante da confederação, que atira: "Não se compreende que existam, inscritos nos centros de emprego, 538 mil trabalhadores à procura de emprego, sendo 30 mil oriundos do setor da construção e de imobiliário."

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de