Dívida de 1.900 euros de renda pode fechar até sábado a cervejaria Galiza no Porto

Fundada em 1972, a Cervejaria Galiza é uma das referências do Porto no setor da restauração.

Os funcionários da cervejaria Galiza, no Porto, têm os postos de trabalho em risco caso não paguem até sábado 1.900 euros de renda, disse António Ferreira, um dos três trabalhadores a gerir o espaço.

Desde 26 de fevereiro "à espera que a dona da cervejaria acione a insolvência controlada", acordada na reunião que decorreu na Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), os funcionários da Galiza estão desde o final de março a trabalhar em regime de 'take-away' para tentar "manter os postos de trabalho", recordou o representante dos trabalhadores.

Contudo, "não estamos a faturar nem 10% do possível e a verdade é que não conseguimos em março pagar os nossos salários, é quase só para o combustível da carrinha e para os abastecimentos da cervejaria", relatou António Ferreira, referindo-se à atual situação que decorre do estado de emergência nacional declarado para combater a propagação da Covid-19.

"Dada a impossibilidade de continuarmos a pagar a renda do espaço, que é de 1.900 euros, pedimos à dona que assumisse esse custo, o que foi recusado com o argumento de sermos nós, e não ela, quem está a gerar dinheiro", acrescentou.

Afirmando-se "revoltado" com a atitude da proprietária daquela cervejaria portuense, António Ferreira revelou "não entender como é que alguém que recebeu mais de 60 mil euros dos trabalhadores, desde que em novembro assumiram a gestão do espaço, se recusa a colaborar, sabendo que no sábado é a data limite para pagar a renda".

Para o gestor da cervejaria, "apesar do dinheiro recebido", o facto de a proprietária "não cumprir com o pagamento dos impostos em atraso, conforme fora combinado", parece ser "fruto de um esquema para vender o espaço sem querer saber do futuro dos funcionários".

"É para nós claro que isto é uma jogada para nos pôr daqui para fora. Primeiro, a insolvência que nunca mais entra no tribunal, e agora isto, sabendo que estamos numa posição fragilizada em termos financeiros", lamentou o representante dos trabalhadores.

Os 28 dos 33 trabalhadores que em novembro de 2019 evitaram o encerramento compulsivo do estabelecimento e, desde então, gerem o espaço, "recusam-se a abandonar o seu posto de trabalho até que alguém dê a cara para que a situação se resolva", garantiu.

Fundada a 29 de julho de 1972, a Cervejaria Galiza é detida pela empresa Atividades Hoteleiras da Galiza Portuense, sendo uma das referências do Porto no setor da restauração.

A tentativa de resolver as dificuldades financeiras passou pelo recurso a um PER, aceite pelo Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia.

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