Imobiliário espera investidores estrangeiros em 2022 em projetos mais sustentáveis e de solidariedade social

O setor termina 2021 com expectativa de ser ano recorde a nível residencial, com 190 mil unidades vendidas e 30 mil milhões de euros em compras de habitação.

No rescaldo de quase dois anos de pandemia, o setor imobiliário revelou resiliência a diferentes velocidades nos diferentes segmentos, desde a área residencial aos escritórios e o tipo de procura também mudou, mesmo assim estima encerrar 2021 com 190 mil unidades vendidas e 30 milhões de euros em compras de habitação.

Das moradias novas à reabilitação, há registo do aumento de busca por casas maiores, com mais espaços exteriores e ascensão das periferias, a que os operadores atribuem ao teletrabalho, como motor de transformação e contribuindo para que os períodos de quarentena levassem à valorização das áreas.

Para Pedro Lencastre da consultora JLL, tudo indica que o ano vá terminar nalguns segmentos já com níveis de crescimento pré-pandemia e adianta à TSF que, "em jeito de balanço, neste caso para o setor residencial 2021 poderá ser ano recorde neste segmento, pois nós estimamos que as casas vendidas cheguem às 190 mil unidades e esperamos alcançar cerca de 30 mil milhões de euros investidos em compras de habitação. São números que ultrapassam os resultados de 2019, que já tinham sido de enorme superação para o setor da habitação. Por isso, podemos afirmar com certeza, que 2021 será o melhor ano para este segmento. O que é certo é que fechamos o ano com otimismo e com a certeza de que existe interesse por parte dos investidores, sobretudo, internacionais, que continuam muito atentos e com vontade de investir no mercado imobiliário português que se mostrou muito robusto ao longo de todo este ano."

Os preços da habitação subiram quase 10% em 2021 e ainda sem dados de fecho completos este consultor adianta que, "no último semestre, o sector retomou inclusivamente os níveis de atividade anteriores, o que leva a crer que o mercado reúne todas as condições para ganhar robustez ao longo de 2022".

Num país onde 79% das famílias são proprietárias da casa onde habitam, alguns estudos de operadores revelaram num encontro do setor, após o verão, que cerca de 45% desejava trocar de casa, mas essa aspiração não se concretizou, pelo menos até à chegada do inverno, e também muitas decisões de investimento em relação a imóveis comerciais foram adiadas para o novo ano.

Fenómeno que Pedro Lencastre atribui ainda à pandemia, acrescentando que "apesar do total investido em imobiliário comercial ser inferior ao de 2020, não é sinónimo de falta de robustez ou de atratividade do mercado. Nós não podemos ignorar, de forma alguma, que estamos num contexto ainda com restrições que levou ao atraso de alguns grandes negócios em curso, negócios esses que serão concretizados no início, ou no decorrer do próximo ano e também ter em conta que existe ainda alguma escassez de produto para investimento em certos segmentos de mercado, o que obviamente acaba por ter impacto no valor final que vai ser transacionado."

Mesmo assim, o otimismo reina para 2022, em especial nas compras no segmento comercial, seja para escritórios, ou outro tipo de atividade, como lares para idosos, pelo menos. As necessidades deste tipo de mercado são indicadas num estudo, citado por este consultor: "Teremos cada vez mais escritórios transformados em espaços de verdadeira experiência para os colaboradores e muito bem vistos aos olhos dos investidores. Foram os ativos, dentro do segmento do imobiliário comercial, que mais atraíram investimento e a nossa estimativa é que o investimento em escritórios represente mais de 40% do volume total investido em imobiliário comercial, onde estimamos que o total não chegue aos dois mil milhões de euros. Por exemplo, concluímos com um estudo realizado sobre imobiliário sustentável que 82% dos operadores ativos em Portugal tem intenção de avançar com o compromisso de tornar os seus projetos mais sustentáveis e mais recentemente com um estudo sobre residências seniores, verificamos que são necessárias mais 17 mil camas para idosos até 2025."

Seja qual for a surpresa do ano novo, os preços das casas para comprar estão a crescer há vários anos mais do que é recomendável, tornando Portugal um dos países da UE que está em risco de bolha, de acordo com dados do Eurostat.

Segundo o índice de preços das casas do gabinete de estatísticas europeu, há cinco anos consecutivos que o valor dos imóveis no mercado português apresenta variações anuais superiores a 6%, valor a partir do qual a Comissão Europeia considera que um mercado está em risco de bolha de preços.

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