Indicador de confiança dos consumidores "diminuiu abruptamente" em março

É a segunda maior redução deste indicador depois da registada no início da pandemia de Covid-19, em abril de 2020.

O indicador de confiança dos consumidores "diminuiu abruptamente" em março e o indicador de clima económico recuou "de forma moderada" no contexto da guerra contra a Ucrânia, divulgou esta quarta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

"No contexto da guerra contra a Ucrânia, o indicador de confiança dos consumidores diminuiu acentuadamente em março, após ter aumentado nos dois meses anteriores, verificando-se a segunda maior redução da série face ao mês anterior, apenas superada pela diminuição registada em abril de 2020 no início da pandemia Covid-19", refere o INE.

Já o saldo das perspetivas dos consumidores relativas à evolução futura dos preços registou em março "o maior aumento da série, superando em larga medida o valor máximo anterior".

"O saldo das perspetivas relativas à evolução futura dos preços registou em março o maior aumento da série iniciada em setembro de 1997, superando largamente o valor máximo anterior", destaca o instituto estatístico.

Quanto ao indicador de clima económico, "diminuiu de forma moderada em março, após ter atingindo no mês anterior um nível idêntico ao observado em fevereiro de 2020 e de ter apresentado um comportamento irregular entre julho e janeiro".

Em março, os indicadores de confiança diminuíram na indústria transformadora e na construção e obras públicas e aumentaram no comércio e nos serviços.

De acordo com o INE, em todos estes setores de atividade, os saldos das expectativas dos empresários sobre a evolução futura dos preços de venda "aumentaram de forma significativa em março, registando os máximos das respetivas séries, com destaque para a indústria transformadora, em que se observou o aumento de maior magnitude".

A evolução negativa do indicador de confiança na indústria transformadora traduziu o contributo negativo de todas as componentes: opiniões sobre a evolução da procura global, apreciações relativas aos stocks de produtos acabados e perspetivas de produção, "mais intenso no último caso".

Por seu turno, a diminuição "expressiva" da confiança da construção e obras públicas refletiu o contributo negativo das apreciações sobre a carteira de encomendas e das perspetivas de emprego.

Já o aumento do indicador de confiança do comércio em março, após ter diminuído em fevereiro, resultou dos contributos positivos do saldo das apreciações sobre o volume de stocks e das opiniões sobre o volume de vendas, tendo as perspetivas de atividade da empresa contribuído negativamente. Contudo, "as perspetivas de atividade agravaram-se em março, pelo segundo mês consecutivo, de forma expressiva no último mês".

No setor dos serviços, a recuperação do indicador de confiança resultou do contributo positivo das opiniões sobre a evolução da carteira de encomendas e das apreciações da atividade da empresa, tendo as perspetivas relativas à evolução da procura contribuído negativamente.

Segundo o INE, a "redução abrupta" observada em março na confiança dos consumidores "resultou sobretudo do contributo marcadamente negativo das expectativas relativas à evolução futura da situação económica do país e da situação financeira do agregado familiar".

Para a evolução do indicador contribuíram também negativamente as perspetivas sobre evolução futura da realização de compras importantes e as opiniões sobre a evolução passada da situação financeira do agregado familiar".

O saldo das expectativas relativas à evolução futura da situação económica do país registou em março "a segunda maior redução da série face ao mês anterior, muito próxima da observada em abril de 2020, aquando do início da pandemia".

Na mesma linha, o saldo das perspetivas relativas à evolução futura da situação financeira do agregado familiar "também registou em março a segunda maior diminuição da série, ainda que distante da observada em abril de 2020".

Quanto ao saldo das opiniões sobre a evolução passada dos preços, "aumentou nos últimos seis meses, prolongando a trajetória marcadamente ascendente iniciada em março de 2021 e atingindo valores que não eram observados desde julho de 2008".

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