Ministro da Economia diz que eleitores do BE e PCP não entenderiam chumbo do OE2022

Pedro Siza Vieira considera que o caminho a seguir é continuar as negociações com BE e PCP tendo em vista a aprovação do Orçamento do Estado para 2022.

O ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, defende que seria incompreensível que o Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP) chumbassem o Orçamento do Estado de 2022 (OE2022).

O documento com a proposta do Governo para o Orçamento de 2022 foi entregue na segunda-feira e apresentado publicamente na terça. Mas os dois partidos à esquerda do Governo já vieram publicamente declarar que, se não houver alterações de modo a incluir as medidas que consideram essenciais, não votarão a favor.

Em entrevista à RTP, esta quarta-feira, o ministro da Economia afirmou que os portugueses não iriam entender se BE e PCP não viabilizassem o Orçamento para o próximo ano e lembrou que contar com o PSD não é uma questão que se coloque.

"Os eleitores destes partidos não perceberiam se estes eleitores não fossem capazes de viabilizar uma proposta de Orçamento que, como digo, aumenta o investimento público, apoia o investimento privado, melhora os rendimentos das famílias, aposta nos mais jovens, melhora os serviços públicos e o Serviço Nacional de Saúde", declara Siza Vieira. "Se calhar, precisamos de fazer mais algum esforço aqui ou ali, assumirmos compromissos de que não vamos conseguir tudo nesta área ou naquela e de que não vamos conseguir tudo agora", admitiu o ministro, "mas, seguramente, seria muito difícil compreender isso, seria muito difícil explicar isso ao eleitorado, e, portanto, diria que o nosso estrito dever é continuar estas discussões".

Para Siza Vieira, não se "justifica" contar com o apoio do PSD, pelo que o Governo irá "tentar fazer exatamente o mesmo percurso" dos anos anteriores e apostar nas negociações com os partidos à esquerda.

"Vamos manifestar a disponibilidade do Governo para continuar a discutir esta proposta de Orçamento, no sentido de assegurar as condições da sua viabilização", esclareceu o ministro.

Questionado sobre o sentido de voto do PSD em relação ao OE2022, Rui Rio, já afirmou que a sua intenção de voto do partido é irrelevante para evitar uma possível crise política, recordando que o próprio primeiro-ministro, António Costa, disse que o Governo cairá no dia em que precise do PSD para aprovar o documento. Por sua vez, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou que eleições antecipadas em janeiro traduzir-se-iam em paragens no Governo, na economia e nos fundos europeus, pelo que acredita que o documento acabará por ser aprovado.

O Orçamento do Estado vai ser votado na generalidade no dia 27 deste mês de outubro e a votação final global acontecerá a 25 de novembro.

*com Ana Sofia Freitas e Paula Dias

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