Os produtos mais procurados nos supermercados. Ou como a Covid-19 mudou o consumo

Cada vez mais preocupados com a pandemia, os portugueses estão a mudar os hábitos de consumo. Vão menos vezes às compras, mas os carrinhos de supermercado andam cada vez mais cheios.

O impacto negativo na economia, o possível colapso da segurança social e a perda de emprego são as consequências da Covid-19 que os portugueses mais temem, de acordo com os dados apurados pela pela empresa de sondagens Kantar. Se há uma semana 81% dos portugueses apresentava elevada preocupação face à crise atual, hoje, essa percentagem sobre para 91%, mostra o mesmo estudo.

Corridas aos supermercados e carrinhos de compras cheios com papel higiénico. Este foi um cenário vivido no início da pandemia. Mas Pedro Pimentel, diretor-geral da Centromarca, associação que representa mais de 1100 marcas, explica à TSF que mesmo durante este período já houve alterações.

"Por volta do dia 20 de março, começámos a notar uma desaceleração do ritmo frenético das primeiros semanas. Quando as pessoas se aperceberam que não iam faltar produtos mudaram e hoje as compras são mais programadas. As pessoas vão menos vezes ao supermercado e por isso tendem a comprar mais produtos", assinala Pedro Pimentel

Os produtos para a limpeza das mãos são os mais procurados nos supermercados, mostra o mesmo estudo. Mas da lista fazem ainda parte conservas, fruta fresca, vegetais, massa, arroz, leite, pão, carne e peixe congelados e também café e chá.

A quarentena está a obrigar os portugueses a passarem mais tempo em casa e Pedro Pimentel diz que isso é visível nas listas de compras. "As pessoas deixaram de fazer refeições fora de casa. Por isso, o consumo centra-se mais em produtos alimentares."

No sentido oposto, roupas e perfumes foram os produtos que sofreram as maiores quebras nas vendas. Com perdas que chegam aos 50% no caso do vestuário.

Doces, bebidas com álcool e os snacks são outros produtos que sofrem uma diminuição na procura numa fase em que, "as pessoas têm um comportamento mais racional e estão abster-se de alguns pequenos prazeres", avança Pedro Pimentel.

Com a Páscoa à porta, o volume de vendas dos supermercados costuma subir, mas Pedro Pimentel sublinha este ano as amêndoas vão ser amargas.

"Não vai haver Páscoa. Há segmentos de mercado, tradicionalmente fortes nesta época, que sofrerão um fortíssimo impacto. Chocolates, produtos de padaria e confeitaria, vinhos e bebidas espirituosas ou cosmética vão sentir os efeitos desta crise", adianta Pedro Pimentel.

Em relação às compras online, os dados revelam que 17% dos portugueses já vão ao supermercado pela internet. No dia 20 de março, eram apenas 10%.

O estudo mostra ainda que, apenas 13,5% dos consumidores acreditam a rotina se recupere em abril, sendo que uma fatia importante - 38,9% - não acredita que a sua vida volte à normalidade até ao final do verão.

Os números mostram ainda que a pandemia já está a ter impacto no bolso dos portugueses, uma vez que 18% dos trabalhadores ativos antes da epidemia afirmam já ter perdido, mesmo que temporariamente, o seu emprego.

LEIA AQUI TUDO SOBRE A PANDEMIA DE ​​​​​​​COVID-19.

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