PCP questiona sinais dados pelo PS e acusa Governo de falta de vontade

Num comício realizado no Chiado, Jerónimo de Sousa relembrou as linhas com que se cose o PCP e não esqueceu as autárquicas da semana passada.

O secretário-geral do PCP questionou, esta sexta-feira, os sinais dados pelo PS, ao rejeitar propostas do partido como o aumento do Salário Mínimo Nacional, defendendo que o Orçamento do Estado "só tem sentido" na sinalização de um caminho diferente.

Num comício realizado ao final desta tarde, Jerónimo de Sousa assegurou que "o PCP está, como sempre esteve, disponível para soluções e respostas claras".

"Não faltaremos com a nossa intervenção e propostas para encontrar as soluções que sirvam os trabalhadores e o povo. O que falta é a vontade do Governo e do PS para levar a sério as respostas que o país precisa", acusou.

Perante centenas de militantes, o líder comunista apontou vários exemplos de propostas do partido rejeitadas pelo PS "com o apoio da direita", como a revogação das normas da legislação laboral, a redução do preço da energia ou a proteção do direito à habitação.

"Ainda hoje o PCP levou à AR o aumento do Salário Mínimo Nacional, rejeitado com apoio do PS. São estes os sinais que o PS quer dar em matéria de resposta à vida de milhões de portugueses?", questionou.

Jerónimo de Sousa perguntou ainda "que significado quer" o PS que se atribua a estas opções "quando se discute um Orçamento do Estado que só tem sentido (...) se for integrado nessa perspetiva de uma resposta clara aos problemas e uma sinalização de um caminho diferente".

Antes do comício, realizou-se, desde o Largo de Camões e até à Rua 1.º de Dezembro, um desfile de centenas de militantes comunistas, ao qual se juntou Jerónimo de Sousa já no final, acompanhado do candidato da CDU em Lisboa, o antigo eurodeputado João Ferreira.

Na sua intervenção, o secretário-geral do PCP exigiu "respostas e soluções abrangentes", também no conteúdo do próximo Orçamento, mas não só, deixando claro que essa "clarificação" pesará no posicionamento dos comunistas.

"Não se pode adiar mais assumir a questão dos salários como uma emergência nacional (...). Não se pode adiar mais a recuperação do poder de compra perdido pelos reformados com pensões superiores a 658 euros, assumindo um aumento de todas as pensões", defendeu.

A eliminação da caducidade da contratação coletiva, o investimento nos serviços públicos, a garantia de creche gratuita para todas as crianças ou a resposta aos problemas de habitação foram outras das reivindicações do líder do PCP.

"Não se pode adiar mais uma política fiscal que desagrave de facto os rendimentos mais baixos e intermédios e tribute decisivamente os dividendos, lucros e património elevados", apelou ainda.

No comício, ao ar livre e que provocou a curiosidade de alguns turistas, Jerónimo de Sousa voltou à análise dos resultados autárquicos do passado domingo, dizendo não iludir perdas (a CDU passou de 24 para 19 câmaras), mas também não poder "menorizar os resultados" de 9,1% dos votos do total nacional e 451 mil votos.

"Não foi uma batalha fácil esta que acabámos de travar. Tudo o que se conseguiu exigiu um duplo esforço", considerou.

Para o PSD e para o CDS-PP, mas também para "os sucedâneos" Chega e Iniciativa Liberal, Jerónimo de Sousa deixou um recado: "Há por aí quem se ande a pôr em bicos de pés, empolando resultados que não tiveram, para com eles dar credibilidade e um suposto e imparável apoio popular ao relançamento dos seus projetos retrógrados e antidemocráticos", criticou.

"Sem subestimar as maiorias obtidas em algumas autarquias mais emblemáticas, a verdade é que a votação de PSD e CDS é inferior à de 2017", apontou.

O secretário-geral do PCP terminou o comício com uma mensagem de confiança: "Cá estamos, cá estaremos. A luta continua, a luta vale a pena!".

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