"Primeiro-ministro, o seu silêncio era ensurdecedor. Agora que falou, mais valia estar calado"

Seria melhor ter-se mantido "calado", mas, já que não o fez, então que seja coerente e tome medidas. Este é o desafio deixado ao primeiro-ministro pelos trabalhadores da Galp, que estão em protesto em frente à Câmara de Matosinhos, por causa do fecho da refinaria.

Os trabalhadores da Galp e o Sindicato das Indústrias Transformadoras desafiam António Costa a ser consequente e a fazer com que o processo do encerramento da refinaria de Matosinhos volte atrás. Em protesto à frente da Câmara de Matosinhos, a iniciativa tem como motivo mais cabal o que o secretário-geral do PS disse sobre o assunto num comício no passado domingo, e depois, como primeiro-ministro, num artigo no jornal Público.

António Costa tinha comentado que "era difícil imaginar tanto disparate, tanta asneira, tanta insensibilidade" como a Galp demonstrou no encerramento da refinaria de Matosinhos, prometendo uma "lição exemplar" à empresa.

Compareceram dezenas de trabalhadores e antigos funcionários da refinaria da Galp à manifestação junto à Câmara Municipal de Matosinhos. Cartazes são expostos e assobios fazem-se ouvir quando a palavra "Governo" e o nome do secretário de Estado João Galamba são mencionados.

Miguel Ângelo Pinto, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, declarou, ouvido pela TSF: "Não estamos a fazer isto num dia de campanha eleitoral. Nós estamos a fazer esta ação porque, dadas as declarações do primeiro-ministro, isso sim, em plena campanha eleitoral... Para fazermos esta ação, temos de cumprir a lei, e dar conhecimento à Câmara 48 horas antes. Calhou ser neste dia, mas não estamos a fazer disto um dia de campanha eleitoral."

Esta manifestação surge, segundo Miguel Ângelo Pinto, após nove meses de ações "para denunciar o crime económico, a decisão irresponsável - podemos apelidá-la assim - da administração da Galp, com o Governo a secundarizar, com o silêncio do primeiro-ministro neste tempo todo". O representante do sindicato acusa António Costa de falar apenas sete meses depois para "lamentar o que está a acontecer", o que causa "muita revolta e indignação" aos trabalhadores. "Senhor primeiro-ministro, o seu silêncio era ensurdecedor durante este tempo todo, mas, agora que falou, ainda nos veio revoltar mais; mais valia estar calado."

Também ao poder autárquico são dirigidas mensagens. Miguel Ângelo Pinto lembra que em março já tinha havido uma ação em frente à Câmara Municipal do Porto. "Se tivéssemos os executivo da Câmara a defender como nós defendemos... Eu não estou a dizer que o executivo da Câmara subscreve o que aconteceu, mas a Câmara de Matosinhos deveria ter defendido, como o sindicato defendeu, a manutenção da refinaria, a manutenção dos postos de trabalho, e não andar no meio dos pingos da chuva a tentar justificar, com atitudes paliativas, as atitudes do Governo."

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