"Absolutamente inadmissíveis." Partidos condenam ameaças a deputadas

As reações do PS, PSD, PCP, CDS, PAN, Iniciativa Liberal e Chega às ameaças dirigidas a três deputadas e ativistas.

Os partidos PS, PCP, Iniciativa Liberal e Chega já reagiram às ameaças que as deputadas do Bloco de Esquerda Beatriz Dias e Mariana Mortágua, bem como a deputada não inscrita Joacine Katar Moreira e mais sete ativistas, receberam num e-mail dirigido ao SOS Racismo.

A deputada socialista Constança Urbano de Sousa, antiga ministra da Administração Interna, considera intolerável estas ameaças e entende que este novo passo dado pelos movimentos que promovem o ódio e o extremismo pede a aplicação de medidas mais visíveis e de resposta eficaz.

"Neste momento todos reconhecemos a necessidade de medidas mais eficazes que combatam, de forma determinada, este tipo de situações que são absolutamente inadmissíveis na nossa sociedade. Não resolvemos sempre os problemas com iniciativas legislativas, já temos um quadro legal muito exigente e temos de o aplicar, é necessário aplicar a lei", explica à TSF Constança Urbano de Sousa.

O PCP entende que as leis que existem servem para enquadrar a resposta a ameaças deste calibre. Para Rui Fernandes, da comissão política do comité central do partido, basta aplicá-las.

"Esta situação exige uma intervenção determinada e firme de combate à intolerância e às ações de confronto com os valores e princípios democráticos. Creio que as leis existentes em Portugal, a começar no que a própria Constituição consagra, contêm os elementos necessários para essa ação determinada e firme", defende Rui Fernandes.

O deputado da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, não hesita em condenar o conteúdo da carta e mostra confiança na atuação das autoridades, particularmente na Polícia Judiciária.

"É uma escalada de violência verbal, que se espera que fique por aí, e que tem de ser condenada sem qualquer reserva. Estas manifestações hereditárias, de racismo em particular, têm de ser efetivamente condenadas. Isto traduz-se depois também em ameaças enviadas por organizações que também ninguém conhece muito bem", afirma João Cotrim de Figueiredo.

O deputado do partido Chega, André Ventura, mostra surpresa quanto à associação feita esta quinta-feira, no jornal Público, entre alguns elementos do grupo que enviou estas ameaças e o partido que lidera. O líder do Chega garante que o partido não se identifica com quaisquer tipo de ameaças à vida dos cidadãos e até garante que ele próprio é diariamente alvo de ameaças.

"Basta percorrer qualquer rede social para ver ameaças à minha vida todos os dias, quer no Twitter quer no Facebook. Há pessoas a dizer que dão prémios a quem matar o André Ventura ou a quem acabar com o Chega. Isto naturalmente não desvaloriza o que acontece com a esquerda, mas vivemos num país muito curioso em que só o que vitimiza a esquerda é que se torna importante", diz o deputado do Chega.

Da parte do partido Pessoas Animais Natureza (PAN) fica apenas o registo do repúdio por parte do deputado e porta-voz, André Silva.

"Isto só merece o repúdio e a condenação do PAN face àquilo que são atitudes atentatórias aos mais basilares direitos humanos. Esperamos que as autoridades competentes providenciem a proteção destas pessoas e que façam um cumprimento, rápido e urgente, do enquadramento legal", afirma André Silva.

Para Duarte Marques, do PSD, deve-se investigar e punir quem fez as ameaças. O deputado refere também que a preocupação com o racismo é sempre presente, quer os alvos sejam titulares de órgãos de soberania ou não.

"Neste caso é ainda mais grave. Estamos perante um caso que é uma ameaça inadmissível que, para nós, é um caso de polícia, além de revelar uma grande cobardia. As autoridades já anunciaram um inquérito, mas os partidos políticos e os portugueses devem estar todos ao lado das pessoas que estão ameaçadas", considera o deputado social-democrata.

Já o CDS defende que o Estado tem de ter um programa concreto de formação para a cidadania.

"É em cidadania, tolerância e democracia que se combatem estes problemas e é esse também um dos papéis do Estado, nas escolas, juntos dos media, dos vários institutos que tutela e ter uma estratégia nacional de formação pela cidadania", acrescenta António Galvão Lucas.

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