CDU contra "coro generalizado" que é culpado pela falta de professores e agora está surpreendido

João Oliveira questiona a falta de professores em "regiões inteiras do país". Para a CDU a resposta às carências que há na educação está na valorização das carreiras dos professores e também no investimento nas escolas.

O dirigente comunista João Oliveira insurgiu-se na noite de terça-feira contra o "coro generalizado" que se mostrou surpreendido com as carências de professores em várias regiões, culpabilizando PS e PSD por contribuírem durante vários anos para o problema.

"Neste ano letivo apareceu um coro generalizado de 'escandalização': 'Como é que possível haver regiões inteiras do país onde faltam professores?. Espantam-se agora?", disse João Oliveira, durante um comício no Convento de São Francisco, em Coimbra.

O membro da Comissão Política do Comité Central do PCP acrescentou que os mesmos que estão agora "escandalizados" durante "décadas maltrataram os professores, chamaram-lhes cábulas, chamaram-lhes preguiçosos que não queriam trabalhar e que precisavam era de ver os seus horários de trabalho aumentados porque não queriam fazer nada".

Este tratamento, continuou João Oliveira, faz com que não haja pessoas interessadas na carreira de professor.

"Como é que há um jovem que hoje, quando vai decidir o caminho da sua formação superior, diz assim: 'Não, é mesmo professor que quero ser!'. Dez, 15, 20 anos andar com a casa às costas, dez, 15, 20 anos sem ter condições de estabilidade para formar família, ou a ter de pagar duas rendas de casa porque é de Guimarães e está colocada em Faro", sustentou.

Para a CDU a resposta às carências que há na educação está na valorização das carreiras dos professores e também no investimento nas escolas, "que não são só paredes de betão e quadros digitais".

A resposta também está no investimento em "recursos pedagógicos", ou seja, "gente a pensar, gente com tempo para pensar, gente com tempo para qualificar a escola pública".

"Como é que é possível não fazer esse investimento e dizer aos jovens: 'Não, não, formem-se para seguirem a carreira de docente, porque isso é uma boa perspetiva de futuro'", questionou.

"E hoje aqueles que fizeram tudo isto escandalizam-se: 'Vão faltar professores, vai ser um cataclismo daqui por uns anos (...)'. Mas onde é que andaram nos últimos anos?", interrogou-se o dirigente da bancada comunista na Assembleia da República.

Até o antigo ministro da Educação, Nuno Crato (durante o XIX Governo Constitucional, entre 2011 e 2015), ficou "escandalizado", mas João Oliveira 'apontou-lhe o dedo' por dizer há anos que havia "professores a mais".

Estes e outros problemas "não surgiram do nada, levaram muito tempo", alertou o dirigente comunista, e a solução "não é de um dia para o outro".

Enquanto o deputado discursava, o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), Mário Nogueira, estava a ouvir atentamente, de braços cruzados.

O dia foi de adaptação para João Oliveira. Já tinha saído de cena para continuar a fazer campanha no distrito de Évora, onde é cabeça de lista, mas João Ferreira contraiu a Covid-19, forçando o seu regresso.

Visivelmente confortável a falar para os apoiantes, João Oliveira vai ser (pelo menos) durante esta semana o rosto da CDU.

O deputado deverá voltar ao plano inicial assim que Jerónimo de Sousa voltar. Ainda não há dia concreto para o regresso, mas o secretário-geral do PCP deverá assumir a dianteira da caravana da CDU a última semana de campanha. Por agora continua a recuperar de uma cirurgia de urgência à carótida interna esquerda a que foi submetido na semana passada.

Nas legislativas de 2019, a CDU obteve em Coimbra 11.402 votos, ou seja, 5,59% do total de votantes neste círculo eleitoral (203.950), e não elegeu deputado.

LEIA AQUI TUDO SOBRE AS LEGISLATIVAS 2022

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