Concentrados no Orçamento, BE e PCP ignoram plano de recuperação

Em dia de debate sobre a próxima década, os partidos à esquerda quiseram olhar para as necessidade mais imediatas do país.

Os líderes de BE e PCP, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, ignoraram esta quarta-feira o Plano de Recuperação e Resiliência do Governo, no parlamento, preferindo focar-se em medidas imediatas consideradas urgentes e necessárias.

Ambos os parceiros do PS na passada legislatura, juntamente com "Os Verdes", fizeram críticas à postura e intenções do executivo liderado por António Costa no debate no plenário dedicado ao plano 2020/30.

"Estamos numa das maiores crises de que temos memória e, no BE, não desconhecemos a enorme dificuldade que a crise coloca ao Estado e às administrações, mas estamos a pouco mais de duas semanas da entrega pelo Governo da sua proposta de Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) e nada se sabe", afirmou a coordenadora bloquista.

Segundo Catarina Martins, o seu partido procura "medidas consistentes e verdadeiras", pois "o tempo é curto" e é preciso "discutir, sim, o longo prazo", mas antes disso "resolver as urgências e trabalhar nas soluções para o país".

"Não encontramos resposta a estas questões porque mantém as opções e a orientação de política que fragilizou ao longo dos anos o país", disse o secretário-geral comunista, referindo-se ao documento elaborado pelo gestor e consultor governamental António Costa Silva, em debate na Assembleia da República.

Para Jerónimo de Sousa, "não é possível ir ao encontro das necessidades dos trabalhadores, do povo e do país sem uma rutura com a politica" que colocou Portugal "nesta situação", devendo o Governo "bater-se para que os fundos comunitários sejam integrados numa estratégia nacional de desenvolvimento" e não subjugados a "imposições da União Europeia.

Catarina Martins elencou as "urgências do pais". "Só nos meses de verão os profissionais da saúde fizeram seis milhões e meio de horas extraordinárias", declarou, defendendo que é necessário contratar mais 4.200 profissionais para o Sistema Nacional de Saúde, algo que fora acordado com o executivo de Costa por ocasião do OE2020, mas que tarda em ser cumprido.

A líder bloquista denunciou ainda a previsível "vaga de despedimentos e aumento do desemprego" e questionou o primeiro-ministro sobre se "pretende continuar a garantir o financiamento dos prejuízos do Novo Banco, mesmo sabendo que pode estar a ser enganado pela Lone Star".

"O BE quer debater soluções para o país, apoio robusto para quem perde emprego, salário ou rendimento", sublinhou, salientando as suas propostas: "reforço dos subsídios de desemprego e social de desemprego, proibição de despedimentos nas empresas que têm apoios ou lucros ou criação do Rendimento Social de Cidadania porque "ninguém pode ficar a baixo do limiar de pobreza no meio da crise pandémica".

Jerónimo de Sousa, intervindo depois do presidente do PSD, Rui Rio, que questionou o Governo sobre se queria "fomentar desemprego" com o aumento do salário mínimo nacional (SMN), dirigiu-se também ao líder social-democrata.

"Disse que vai perder votos [com a referida alocução sobre SMN). Ai não que não ganha! [votos], particularmente no grande capital, que está à espera dessas verbas (fundos europeus) para encher os bolsos à custa dos trabalhadores", ironizou o líder comunista.

O PCP defendeu a recuperação económica através de uma "política de valorização dos salários e direitos dos trabalhadores", a dinamização da economia pela "recuperação do controlo público de empresas e setores estratégicos" (CTT, aeroportos, entre outros), além de uma "política decidida de criação de emprego pela valorização da produção nacional e reforçando o emprego público (saúde, educação, segurança social).

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